Saiba se você é um viciado tecnológico

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O tema foi abordado pela psicóloga Kislley Sá na semana de qualidade de vida da Codevasf

Estamos sempre cercados de tecnologia. Computadores, tablets e smartphones fazem parte do nosso dia a dia e muitas vezes nos ajudam a executar atividades como compras, pagamentos ou até conversar com amigos distantes facilitando algumas atividades diárias, mas e quando começamos ficar dependentes destas tecnologias?

Na última quinta-feira (26), a coordenadora da Clínica Cuidarte, a psicóloga Kyslley Sá Urtiga, ministrou a palestra Dependência Tecnológica: Vícios em tecnologia: Internet, celulares e jogos eletrônicos na Codevasf.

A palestra foi uma das ações realizadas pela instituição durante a Semana da Qualidade de Vida.

Na palestra Kyslley apontou os sintomas que podem ser vistos em quem sofre de dependência tecnológica como ansiedade para ligar aparelhos, verificar o recebimento de mensagens, eletrônicas e e-mails e bater recordes em jogos.

A psicóloga também apontou que tipo de consequências físicas e emocionais podem acometer dependentes da tecnologia. Tremedeiras, comprometimento da postura, lesões por esforço repetitivo são alguns dos problemas físicos que podem ser desenvolvidos.

Já incapacidade de concentração, angústia por estar longe do aparelho que causa o vício, sentimento de impotência, comprometimento da vida social fora da rede são exemplos de problemas que podem comprometer a estabilidade emocional.

Outro ponto tratado na palestra foi a questão do bullying virtual, ou cyber bullying, que são agressões cometidas no âmbito virtual e são igualmente ofensivas e devastadoras.
“As tecnologias foram criadas para serem usadas a nosso favor e não contra nós mesmos. Assim sendo, a qualidade do uso destas tecnologias depende das escolhas que fazemos!”, destaca Kyslley.

Por Letícia Lustosa – Especial para o site da Cuidarte
Foto: Assessoria de Comunicação da Codevasf

Medo de interação caracteriza a Fobia Social

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Medo de críticas pode ser a base da fobia social

Hoje vamos falar um tipo de fobia, a social. Em linhas gerias ela se caracteriza pelo medo de contato e interação social, principalmente com pessoas pouco familiares ao indivíduo e em situações nas quais o sujeito possa se sentir examinado ou criticado por tais pessoas, como proferir uma aula ou ir a festas.

A fobia social está enquadrada na categorias dos transtornos fóbicos ansiosos, na qual a ansiedade é um componente importante. Neste grupo a ansiedade é evocada apenas ou predominantemente por certas situações ou objetos, externos ao indivíduo, os quais não são correntemente perigosos, como exemplificado a cima.

O início do transtorno inicia geralmente na adolescência e está centrado em torno de um medo de expor-se a outras pessoas em grupos comparativamente pequenos (em oposição a multidões), levando a evitação de situações sociais.
Diferente da maioria das fobias, a fobia social é igualmente comum em homens e mulheres, elas podem ser delimitadas, como, por exemplo, comer ou falar em público ou encontrar-se com o sexo oposto; ou difusas, envolvendo quase toda situação social fora do círculo familiar.

Fobias sociais estão comumente associadas à baixa autoestima e ao medo de críticas. Elas podem se apresentar como uma queixa de rubor, tremores, mãos frias, náuseas ou urgência em ir ao banheiro.

Muitas vezes ao apresentar os sintomas citados o indivíduo está convencido de que uma dessas manifestações secundárias de ansiedade é o problema primário.

É importante pontuar que os sintomas podem evoluir para ataques de pânico. A evitação é frequentemente marcante e em casos extremos pode resultar em isolamento social.

O indivíduo em tal situação de fobia deve procurar ajuda de um profissional de saúde mental, médico e psicólogo, para avaliação da melhor conduta a ser tomada, visando o bem-estar pessoal. A família identificando a dificuldade da pessoa com o transtorno também pode ajudá-la a procurar ajuda profissional.

Fonte consultada: CID 10 e livro Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais
Edição: Adriana Lemos

Orange is the new Black e a psicologia

Série retrata a falta de assistência psicológica dentro da prisão

Série produzida e exibida pela Netflix, conta a história de Piper Chapman, é uma mulher na casa dos 30 anos que é sentenciada a 15 meses de prisão por um crime que cometeu há quase dez anos. Ela transportou dinheiro para sua namorada que era uma traficante internacional. Na cadeia conhece novas mulheres com historias de vidas únicas e especiais e que por alguma má escolha do passado fez com que fossem presas e obrigadas a passar alguns anos em reclusão.

É interessante ver no decorrer da série as relações que são formadas dentro do presidio, algumas acontecem por afinidades, interesses em comum ou simplesmente a cor da pele, que se mostra como o primeiro critério para o inicio das relações sociais entre as detentas, assim os grupos são notoriamente divididos entre mulheres brancas, negras, latinas e ‘outras’, usando o próprio termo da serie. Como as detentas precisam efetuar trabalhos dentro da prisão, essas relações acabam se expandindo, não ficando restritas somente a cor da pela, como acontece inicialmente. O que inicialmente é critério para a separação das mulheres em grupos acaba não tendo mais importância com o passar de cada episodio, ficando claro que o interesse em comum e identificação pessoal é o que de fato levam as prisioneiras a manterem uma relação de amizade, como é o que acontece por exemplo com uma freira e la cumpri pena que acaba desenvolvendo uma amizade com uma mulher transexual.

Outros personagens chamam muito a atenção, não somente pela personalidade, como também pelo modo de ver e tratar as detentas, como os funcionários e guardar do presidio. Com uma visão pessimista e fatalista, que algumas das vezes pode chegar até a ser preconceituosa, tais funcionários, em sua grande maioria, enxergam aquelas mulheres como criminosas perigosas e detentas apenas. Poucos são aqueles que estão realmente engajados em promover uma boa ressocialização das mesmas e desprezam completamente suas historias de vida e o que levaram elas a cometerem tais crimes.
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Dessa forma fica claro que na função de preparar essas mulheres para uma nova vida do lado de fora da cadeia, a prisão peca em vários aspectos. Primeiramente por não ter um acompanhamento psicológico adequado com as mulheres ali reclusas e com os funcionários, pois ambos precisam desmistificar alguns preconceitos, além de dar significado aos sofrimentos e ansiedades que tal ambiente de reclusão gera. As atividades que são desenvolvidas com as detentas pouco tem função profissionalizante e social, não preparando as mesmas para a vida que elas vão enfrentar fora da cadeia.

Assim Orange is the new Black se revelou uma série engraçada, dramática e reflexiva ao mesmo tempo, mostra a realidade de uma penitenciaria feminina de um modo leve mas verdadeiro, onde o telespectador tem a possibilidade de ampliar sua visão, onde para de ver pessoas criminosas e começam a refletir sobre a vida daquela daquela pessoa, sobre o que a levou a fazer tal ato, sobre o que a experiência da cadeia pode significar e o que ela pode aprender com isso e mais, pensar em uma penitenciaria como uma oportunidade para essas mulheres de recomeçar, aprender algo novo, e não somente ficar no ócio e esperar passar o tempo para ser livre novamente e acabar cometendo algum crime novamente.

Po Antonino José de Melo – Psicólogo
CRP 21/02264

Coordenadora da Cuidarte realiza ciclo de palestras

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A psicóloga e coordenadora da clínica Cuidarte, Kyslley Sá Urtiga, ministra série de palestras com temas que vão da educação no trânsito à sexualidade e saúde feminina. Agora em novembro, além de debater sobre o uso das redes sociais e sexualidade, a profissional também ministra palestras que abordam o câncer feminino, com foco nos de útero e mama, que tem como objetivo conscientizar e ajudar na prevenção contra a doença.

O ciclo de palestras começou no mês de outubro em escolas e empresas de Teresina. Na palestra “Trânsito seguro, motos e caminhões” Kyslley Urtiga, que além de sexóloga também é especialista em trânsito, dá dicas sobre como ser um condutor ético e responsável buscando sempre construir um trânsito seguro para todos. Na palestra também é abordada a questão de itens de segurança e os efeitos do álcool para quem está ao volante, um dos grandes responsáveis por acidentes e mortes no trânsito.

Outra palestra ministrada é intitulada “Sexualidade” e aborda desde questões biológicas quanto questões psicológicas do assunto. Na palestra, temas atuais que ainda causam confusão na cabeça de algumas pessoas, como a transsexualidade e a homoafetividade, são alguns dos pontos tratados.

“O uso das redes sociais nas escolas” encerrou o ciclo de palestras do mês de Outubro. Voltada para os professores, trouxe a temática das redes sociais em escolas além de guia-los sobre como se relacionarem com seus alunos através delas, também pontuou a questão do cyberbullying, um problema grave que pode não apenas prejudicar o desempenho escolar quanto a vida social de crianças e adolescentes.

Por Letícia Lustosa – Jornalista / Especial para o site da Cuidarte
Edição Adriana Lemos – Jornalista e Psicóloga / Da equipe Cuidarte

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Saiba como identificar e tratar o transtorno do pânico

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A ansiedade é a base de muitos transtornos psicológicos, dentre eles o de pânico. O tema que estamos abordando hoje é para atender ao pedido de um dos nossos leitores nas redes sociais, mas que pode ajudar a esclarecer as dúvidas de muitas pessoas.

Começamos a falar sobre o assunto esclarecendo que o termo transtorno não é devido a efeitos fisiológicos direto de uma substância ou de uma condição médica ou doença, mas sim tem como base as emoções.

As causas exatas do transtorno do pânico são desconhecidas, embora a Ciência acredite que um conjunto de fatores possa desencadear o desenvolvimento da doença, como genética, estresse e mudança na forma como o cérebro funciona e reage ao estresse.

Outro ponto importante a esclarecer é que existe diferença entre ataques de pânico e transtorno do pânico. No primeiro, há um período intenso de desconforto ou sensação de medo com pelo menos quatro dos seguintes critérios:

Palpitação ou taquicardia;
Sensação de falta de ar, desconforto respiratório;
Sensação de asfixia ou de estar sufocando;
Suor nos pés, mãos e face, geralmente frio;
Medo de perder o controle ou enlouquecer;
Medo de morrer e/ou ter um ataque cardíaco;
Tremores ou abalos;
Formigamento;
Ondas de calor ou calafrios;
Desrealização (sensação de que o ambiente familiar esta estranho);
Despersonalização (sensação de estranheza quanto a si mesmo);
Tontura, instabilidade;
Dor ou desconforto torácico
Náusea ou desconforto abdominal.

Já o transtorno se caracteriza pela pessoa ter ataques de pânico de modo repetitivo e inesperado, e pelo menos um desses ataques foi seguido por um período mínimo de um mês com as seguintes características:

Preocupação persistente de ter novos ataques;

Preocupação sobre implicações ou consequências dos ataques como perder o controle, enlouquecer ou ter infarto;

Ter alterações do comportamento relacionadas aos ataques; Presença ou não de agorafobia (medo de multidão) associada.

A boa notícia é que existe tratamento para o problema e o principal objetivo é reduzir o número de crises, assim como sua intensidade e recuperação mais rápida. As duas principais formas de tratamento para esse transtorno é por meio de psicoterapia e medicamentos. Então ao necessitar não hesite, procure o auxílio de um profissional de saúde mental.

Por Adriana Lemos – psicóloga e jornalista
Material consultado: www.minhavida.com.br / Livro Psicopatologia e Semiótica dos Transtornos Mentais (Paulo Dalgalarrondo).

Impulsividade marca personalidade Borderline

O borderline tem comportamento agressor e ao mesmo tempo impulsivo
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Já falamos em outros artigos aqui no site sobre personalidade e seus tipos. Desta vez trazemos um texto sobre a personalidade Borderline. Lembramos que a personalidade é o conjunto de manifestações comportamentais que expressam o estilo de vida e o modo de se relacionar de um indivíduo, consigo mesmo e com os outros. Nossa personalidade é o elemento estável de nossa conduta, mostra como somos habitualmente e nos distingue das outras pessoas.

A Personalidade borderline também é conhecida como limítrofe por estar na ‘borda’ do padrão e conter elementos que podem estar presentes em inúmeros transtornos, por isso é de difícil diagnostico. Ele é um transtorno psíquico grave que provoca oscilação de humor, medo de ser abandonado, comportamentos impulsivos. O sujeito com o transtorno se expressa de forma explosiva (comportamento agressor) e implosivo (sofrimento interno).

Se caracteriza pela dificuldade de relacionamento íntimo, impulsividade, falta de autoestima e segurança (sempre precisa de alguém). Pessoas borderline não apresentam uma personalidade fluída, precisam do outro para se legitimar. Com isso sofrem muito.

A emoção do boderline é sempre negativa. A pessoa é uma ótima companhia, pois pode ser divertida, mas apenas quando a relação não é íntima. Já quando passa a exercer uma relação mais próxima com o outro passa a ter comportamentos que sufocam. O “border” cobrar a presença do outro e tem ciúmes que fogem do padrão saudável. A sua necessidade é de sempre preservar o afeto.

Em resumo, o borderline têm relações pessoais muito instáveis, realizam atos autolesivos repetidos, humor muito instável, é impulsivo e explosivo; tem graves problemas de identidade, sentimentos intensos de vazio e aborrecimento crônico.

Segundo a literatura, é um transtorno mais comum em mulheres e o diagnóstico não é fácil, como já falamos, precisando de uma análise cuidadosa das queixas. Já existem tratamentos que controlam os efeitos do transtorno e ele é feito por meio de psicoterapia e medicação, prescritas por um psiquiatra, que têm a função de tratar comorbidades associadas. A realização de psicoterapia é importante para a maior estabilidade emocional futura do paciente.

Por Kislley Sá – Psicóloga
Edição – Adriana Lemos – Psicóloga e Jornalista

Verdades secretas sobre abuso sexual e psicológico

abusodentroA sutileza da permissividade da cultura machista permeia muitos abusos.

A novela Verdades Secretas, que chegou ao fim na última sexta-feira, discutiu um assunto de extrema importância e, de fato, mantido secreto ou velado sob os tapetes da vida cotidiana da violência que grassa na contemporaneidade. Rapidamente os temas tratados, além do abuso sexual e violência psicológica, como o alcoolismo, falta de valores éticos, drogas e prostituição passaram a ser top trend nas redes sociais e rodas de conversa entre amigos e conhecidos.

Mas a trama principal se sobressaiu. A questão do abuso psicológico seguido do abuso sexual praticado por um homem maduro com uma adolescente dividiu opiniões, uns entenderam que ela era a ‘culpada’ e ‘desavergonhada’, pois se deixou seduzir, permitiu. Já outros compreenderam que a personagem foi vítima da sedução e de abuso.

O pacto do silêncio que envolve o tema, tem sido um grande desafio, pois por muitas vezes procuramos encobrir a existência de tão incômodo problema. Esse desconforto se torna ainda mais evidente quando, além de tratar-se de um processo de vitimização sexual, as vítimas são crianças ou adolescentes, principalmente nas situações em que a violência ocorre dentro do âmbito da família, numa situação de incesto.

Denomina-se vitimização sexual à participação de uma pessoa em uma situação erótica, mediante coerção física ou psicológica. Deve ficar claro que o objetivo de uma vitimização sexual é sempre a satisfação do prazer do agressor, embora muitas vezes ouça do agressor que a vítima o provocou, insinuando-se para ele.

A violência sexual pode correr dentro ou fora dos limites familiares. Os casos de vitimização intrafamiliar são os mais comuns estatisticamente.

De fato, o horror social ao incesto é tão intenso que estudar esse aspecto do comportamento humano é algo que nos incomoda e aflige. O conceito de lar e família como refúgios intocáveis, onde cada ser humano consegue proteção contra o mundo adverso e hostil, é algo que nos é muito grato cultivar.

Existe uma baixa frequência de queixas, tão em desencontro à elevada frequência dos episódios, pode ser compreendida se levarmos em conta a estrutura ainda machista de nossa cultura. O que ocorre é que frequentemente, numa curiosa e perversa inversão, a vítima é transformada em culpada, sendo incriminada de provocar a vitimização.

Outro fator que torna mais difícil o surgimento das queixas é o relativo pouco crédito que crianças e adolescentes gozam entre os adultos. Vistos como sonhadores, como vivendo em um mundo fictício, é frequente que as poucas referências que tem coragem de expressar sejam vistas como invencionices, os que as faz temer ainda mais revelar o processo. Isso é ainda mais evidente nos casos de violência sexual intrafamiliar, onde um pai, padrasto, tio ou mesmo irmão mais velho não pode ser acusado, visto que tal revelação pouco crédito teria. Por esses fatores, não é por raro que tais casos de violência sexual intrafamiliar passem “despercebidos” dos familiares, indo surgir como queixa numa psicoterapia, muitos anos depois…

Consequências da Violência Sexual
• Aspectos anatômicos e funcionais (traumas – vaginais ou anais – são altas em qualquer situação de vitimização sexual)
• Consequências orgânicas da violência sexual (lesões físicas gerais, lesões genitais, lesões anais, gestação, doença sexualmente transmissíveis, consequências psicossociais, diminuição na autoestima, imaturidade emocional, problemas educacionais, problemas interpessoais de relacionamento, depressão, ajuste sexual difícil).
Tendo-se em vista todas as características emocionais descritas como consequentes ao processo de vitimização sexual, é esperável que tais pessoas tenham dificuldade em ter uma visão positiva do exercício da sexualidade. As disfunções sexuais surgem e necessitam ser trabalhadas com cuidado e pericia num longo e abrangente processo de psicoterapia, assim possibilitaremos a aplicação das técnicas comuns em terapia sexual.

Por Kyslley Sá Urtiga – Psicóloga/ Terapeuta Sexual
Edição: Adriana Lemos – Jornalista e Psicóloga
Fonte consultada: Vitiello, N – Violência Sexual contra crianças e adolescentes.