Viver conectado pode trazer angústia e prejuízos

conectado

Vivemos na era da informação e a tecnologia tem nos provocado angustia, pois existe a necessidade de estarmos sempre conectados em dispositivos fixo ou móveis, como o celular e checando em tempo real mensagens, e-mails e redes sociais. Como viver a vida online sem esquecer da vida cotidiana? Essa tem sido a grande questão
A psicóloga Adriana Lemos, de nosso corpo clínico, falou em recente matéria ao jornal Diário do Povo, que o comportamento das pessoas que se habituam ao uso constante da Internet é típico da época em que vivemos, a pós-modernidade. Uma das principais características desses novos tempos é o acesso à informação rápida, dada pela modernização midiática.

Naturalmente, crianças e jovens adultos se comportam de acordo com sua geração, ou seja, cada vez mais fazendo uso das redes sociais para trabalho, contato com amigos, familiares. “Claro que existem também os grupos de pessoas mais idosas, principalmente, aquelas que moram em locais onde o acesso à Internet não é tão fácil, mesmo assim, o uso dela é algo presente na vida da população em geral. E por isso, observa-se essas mudanças de hábitos em relação às redes sociais”, diz.

Adriana fala ainda que existem pontos positivos e negativos com relação às redes sociais. “O ponto positivo é a comunicação, hoje, é cada vez mais instantânea, podendo ser usada para diversos fins, como manter contato com amigos, distantes ou próximos, usar as redes sociais para negócios. Quantas pessoas não possuem loja online e usam grupos de WhatsApp para divulgar produtos”, pontua.

O ponto negativo reside no fato de algumas pessoas se tornarem dependentes da internet e das redes sociais. “Muitas pessoas passam horas no facebook, WhatsApp, etc. O uso sem controle da Rede pode interferir na vida pessoal, afetiva e profissional. Conheço pessoas que não conseguem viajar se o lugar de destino não possuir wi-fi para ficar online”, disse.

A profissional alerta que o uso descontrolado da Internet torna as pessoas viciadas em tecnologias e os sintomas de abstinência são semelhantes aos de quem é dependente químico. “A falta de internet para algumas pessoas causa ansiedade e estresse. Quando chega a esse estágio, é preciso um tratamento psicológico para desintoxicar. Se não for cuidado o sujeito poder desenvolver um transtorno”, explicou.

Ela acrescenta que não tem experiência de consultório com pacientes que trouxeram como queixa abstinência de estar online. “O que acontece com frequência é o relato de pessoas que terminaram um relacionamento amoroso, por exemplo, e apresentam comportamento de ‘seguir’ o ex-companheiro nas redes sociais para saber de tudo que ele anda fazendo”, completou.

Em suma, nem tudo na Internet é positivo, embora as vantagens e avanços proporcionem uma evolução a humanidade em termos de tecnologia, trabalho e expansão dos horizontes. Um cuidado que deve ser tomado é com relação à exposição da vida pessoal. Se atentar ao que se posta nas redes sociais. A internet amplia as possibilidades de manter contato com um número maior de pessoas e isso requer que os usuários criem filtros e saibam escolher o que expor e com quem se relacionar para não se tornarem vítimas de criminosos da internet e de bulling.

Texto adaptado de entrevista com a psicóloga Adriana Lemos, veiculada no jornal Diário do Povo de 03.05.2015

Sobre a autoestima e cirurgia plástica

Uma pequena reflexão sobre a imagem refletida no espelho que cada um tem em casa.

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Outro dia fui convidada para um bate-papo sobre o padrão estético da atualidade, na FM Universitária. No programa Educando Consciências conversamos sobre autoestima e os procedimentos estéticos, bem como sobre o alto índice de cirurgia plástica em nosso país. Trago nesse texto um resumo.

Sabemos que o Brasil é campeão em plásticas. Não vejo o procedimento como algo ruim, mas tem de existir limite, um senso de realidade. O fato é que hoje a plástica é usada como solução mágica para problemas de autoestima; e sabemos que esta passa, sobretudo, pela aceitação de si mesmo. Um trabalho de autoconhecimento e ressignificação de emoções e sentimentos, em terapia, pode trazer resultados duradouros e eficazes.

Lembremos que a autoestima é a avaliação que faço de mim em termos de gostar ou não gostar de algo na minha imagem, de avaliar como positivo e negativo alguma característica. Essa avaliação pode ter como base algo real ou imaginário.

Se a pessoa tem orelha de abano, por exemplo, ela tem um motivo real para a avalição sobre si, que pode ser negativa. Nesse caso, a decisão por uma plástica vai ajudar na autoestima. A cirurgia pode conferir autoconfiança a pessoa. Ela terá coragem de andar com o cabelo amarrado ou para trás das orelhaa; terá mais segurança para estabelecer relações.

O problema da plástica é quando a escolha se banaliza e o recurso é visto como solução mágica para um defeito imaginário. Não há cirurgia plástica no mundo que ajude na minha autoestima se não trato a cabeça, pois posso me submeter ao procedimento, mas continuarei olhando para minha imagem com uma avaliação negativa dela.

Temos na modernidade o comportamento do aparentar ser mais importante do que ser o que se é. Talvez por isso essa corrida pelo aparentar uma boa imagem em vez de ter uma imagem calcada na realidade e ser feliz com ela, sem ser pausterizada pelas exigências estéticas do momento. As pessoas pensam ser mais fácil resolver um problema pela cirurgia do que trabalhar suas emoções e sentimentos.

Na cirurgia, o médico faz o procedimento e não há implicação do paciente no sentido subjetivo. Já na psicoterapia, ele precisar se implicar, trabalhar com sofrimento, para passar a se gostar. Isso é um processo que leva tempo e exige esforço, talvez por isso algumas pessoas prefiram as soluções mais rápida.

Hoje as relações, via de regra, são efêmeras e baseadas na imagem. Então aparentar em vez de ser, é o que rege esse tipo de relação superficial. É interessante pensarmos se queremos viver no mundo das aparências ou se preferimos mergulhar em nós mesmos para descobrirmos nossa essência e vivermos em paz com a imagem refletida no espelho.

Por Adriana Lemos
Psicóloga e jornalista

É hora de executar os planos para 2015

As promessas de mudança de vida e representam aposta na esperança de dias melhores
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Depois das festas e férias, o ano começou para valer essa semana. Prova disso é o retorno das aulas dos filhos ou na faculdade. Então é hora também de começar a colocar em prática as famosas promessas de mudança de vida feitas lá na virada do ano.

O hábito das promessas de mudança de vida é comum entre nós e representa uma aposta na esperança de dias melhores, é algo válido e serve como um ritual de passagem. Isso nós traz esperança e um gás a mais.

Para nos ajudar nisso a psicóloga Kislley Sá Urtiga nos dá dicas do que fazer para conseguir executar o planejado no final do ano passado.

Ela lembra que o importante é fazer das promessas um planejamento do nosso ano, com o estabelecimento de metas. O mais adequado nesse planejamento é ter os pés fincados na realidade. Pois não adianta só desejar que neste ano você vá alcançar metas fantasiosas. Isso é ilusão e vai levar a frustração e desmotivação.

Então para alcançar nossos desejos podemos levar em conta as seguintes dicas:

– traçar metas realizáveis;
– buscar meios de atingi-las;
– Sermos flexíveis nos adequando aos imprevistos, verificando e refazendo, se necessário, as estratégias para alcançar as metas traçadas.

Com essas ações mínimas a chance de realizarmos nossos desejos é bem maior.

Por Adriana Lemos*
Jornalista e psicóloga humanista
*Faz parte do corpo clínico da Cuidarte

Depressão tem sintomas diferentes na criança e no adulto

A irritabilidade e ausência de humor deprimido estão entre as características da depressão infantil.

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A depressão é uma das doenças mais prevalentes no mundo atualmente. Esse é um dado de conhecimento da maioria das pessoas, mas o que pode passar despercebido é o fato da doença atingir o público infantil com cada vez mais freqüência e na infância ela se manifesta de modo diferente. Assim, como os sintomas são diferentes daqueles apresentados pelo adulto, identificar o problema e tratá-lo pode se tornar mais difícil.

Para descortinar o tema, fomos conversar com o psiquiatra Cláudio Henrique Viegas para esclarecer nossos leitores. Ele atende ao público adulto e também ao infantil e diz que a principal atipia da depressão na criança em relação a do adulto é a irritabilidade.

“Quanto mais jovem a pessoa é mais comum a depressão se apresentar com o sintoma de irritação em vez de humor deprimido, como acontece no adulto. É preciso pais e familiares estar atentos”, diz o médico.

Outras características da depressão infantil, segundo ele, é a perda da vontade de brincar e interagir; há mudança no padrão de desempenho escolar com diminuição de rendimento; não há choro com ruminações de pensamentos, mas pode ocorrer discurso mórbido.

“A depressão na infância só se tornará mais visível para os pais quando a fala da criança passa a ser mórbida”, pontua Cláudio Henrique. Ele acrescenta que pode haver ainda a dificuldade para dormir, se alimentar e perdas de habilidades já conquistadas. A criança passa a evacuar e urinar sem ter o controle dos esfíncteres (encoprese e enurese).

“Já a depressão no adolescente é mais próxima a do adulto em termos de manifestações”, acrescenta o psiquiatra.
O médico finaliza dizendo que é importante estar atento para os sinais da doença, pois ela muito contribui com os fatores de risco para o suicídio, ato que tem crescido em nossa sociedade. Ele lembra que as causas da depressão são multifatorial, indo da predisposição genética, passando por questões ambientais, privações afetivas e abusos psicológicos, como o alto padrão de cobrança em relação ao desempenho.

Quanto mais cedo identificar a depressão mais cedo se pode intervir e restabelecer o bem-estar da criança, evitando problemas maiores.

Por Adriana Lemos – Jornalista e Psicóloga

Estabelecer limites e transmitir valores é papel dos pais

A psicóloga Marlucia Teles debate e dá dicas sobre o assunto

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Ensinar limites aos filhos é uma questão que sempre está em pauta quando o assunto é educação. O assunto foi discutido pelo programa PI TV 1ª edição da TV Clube recentemente e a psicóloga Marlucia Teles, do corpo clínico da Cuidarte, foi convidada para falar sobre isso.

Para ela, antes de estabelecer limite é preciso compreender que ele é fundamental no processo da educação. “é um ponto que não se deve nem pode ser ultrapassado”, pontua Marclucia.

A profissional, que também é psicopedagoga, impor limites é dar possibilidade aos filhos de eles respeitarem regras básicas na vida, respeitando os outros e não somente as próprias vontades. “É apresentar regras e supervisionar o comportamento. Todos nós temos uma ideia geral a respeito do que seja dar limites. Mas e na prática? Será que realmente conseguimos realizar essa tarefa?” indaga e emenda, “Muitas vezes transmitir os limites de forma legitima aos filhos é mais complexo do que possamos imaginar”.
Na prática, o que os pais precisam repassar aos filhos, além dos limites, são os valores praticados em família. Não adianta querem que isso eles aprendam na escola ou no consultório do psicólogo, o papel de educar e transmitir valores é dos pais.
“Essa é uma tarefa que cabe primeiramente, aos pais e responsáveis. É certo que a escola venha a contribuir no lado da educação formal e também na transmissão de valores, mas nunca poderá substituir a família”, frisa a psicóloga.

Marlucia Teles observa que a vivência dos limites é fundamental para a construção e desenvolvimento de qualquer ser humano. “Na infância, a construção de limites vai ao encontro com o processo de diferenciação e percepção da existência de uma fronteira entre eu e o outro”.

“É preciso e necessário estabelecer algumas regras diante de algumas situações cotidianas, compreender alguns aspectos relevantes no processo ensino aprendizagem no ambiente familiar, porque os pais são reflexos e exemplos para os filhos. O processo de educar é um processo longo, que envolve um novo desafio a cada dia”, ensina.

Ela acrescenta que precisamos dar autonomia aos filhos para que ambos sintam-se mais seguros e independentes.” A falta de autonomia pode gerar insegurança e noções equivocadas das pessoas e do mundo que o cerca. A falta de disciplina em casa gera sensação de que tudo pode e tudo é possível em qualquer lugar, por isso é preciso estabelecer as regras dentro de casa, pontualidade e hora para cada atividade a ser desenvolvida”.

No que se trata de relação entre os pais, a dica é que deve haver uma concordância um com o (a) parceiro (a), do contrário um acabara desautorizando o outro e a criança não saberá claramente o que é certo e o que é errado, há necessidade de sintonia entre os pais e dialogo sempre acima de tudo.

Por Adriana Lemos – Jornalista e Psicóloga
*Da equipe Cuidarte

Terapeuta participa de discussão sobre sexualidade precoce

Kislley Sá Urtiga fala sobre a sexualidade do adolescente na TV.

A  terapeuta sexual Kislley Sá Urtiga, coordenadora da Cuidarte, foi uma das convidadas para discutir o tema da sexualidade precoce no programa Roda Meio Norte (TV MN), no último dia 18 de abril.  O programa, que é a presentado pelo jornalista Arimatea Azevedo, às 22h das sexta-feiras,  tratou o assunto com o seguinte enfoque: Os adolescentes estão fazendo sexo cada vez mais cedo. Isso é certo?.

 

Veja o discussão na íntegra:

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Coordenadora da Cuidarte participa de jornada sobre cuidados paliativos

A psicóloga Kislley Sá discutiu casos clínicos no evento

A coordenadora da Cuidarte, Kislley Sá Urtiga, participou  no último final de semana, como palestrante da Jornada Multidisciplinar sobre Paciente Terminal e Cuidados Paliativos, ocorrida no auditório da Facime em Teresina.

A psicóloga foi a responsável por fechar o evento na mesa redonda que discutiu casos clínicos de pacientes com doenças terminais. Junto com Kislley Sá discutiram os casos a oncologista Nilshelena Almeida e a enfermeira Fernanda.

Kislley Sá, além de psicóloga clínica e terapeuta sexual tem especialização em psico oncologia e trabalha na área como psicóloga hospitalar em uma clinica oncológica da capital.

O evento aconteceu dias 10, 11 e 12 de abril e teve a realização da SCOME e do IFMSA.  Dentre outros temas foram discutidos os cuidados paliativos em UTI; a definição de cuidados paliativos, tratamento clínico da dor; cuidados paliativos em geriatria, bem como sobre tanatologia, os aspectos espirituais e a dor emocional em cuidados paliativos.

Prevenção e posvenção do suicídio são discutidas em Teresina

O evento foi promovido pelo CRP e recebeu a Dra. Karina Okajima

Foto: Adriana Lemos

A psicóloga Karina Okajima Fukumitsu, doutora no tema suicídio e luto, foi a palestrante magna do seminário sobre o assunto promovido pelo CRP 21, em Teresina, no último final de semana. A discussão vem sendo promovida com o objetivo de lançar luz sobre a temática para a prevenção e posvenção a questão, que já se tornou um problema de saúde pública.

Teresina detém índices incômodos de suicídio, ocupando a quinta posição no ranking nacional e a terceira posição no Nordeste em número de mortes por autoeliminação. Dados levados ao seminário pelo palestrante da mesa redonda sobre “Suicídio e Saúde Mental” e psiquiatra Assis Santos Rocha, pontuam que no ano de 2000 ocorreram em termos mundiais 16 mortes por 100 mil pessoas, com variação de sexo, idade e país.

Os dados são da OMS (Organização Mundial de Saúde) e apontam também que o suicídio foi a 4ª causa de morte e a 6ª de incapacitação para o trabalho, entre 15 e 44 anos e que para cada suicídio cinco ou seis pessoas próximas são impactadas na sua vida emocional, social e econômica.

O levantamento feito pelo médico mostrou que de 1980 a 2000 foram registrados (presumisse que há subnotificação) 422 óbitos por suicídio em Teresina, com uma taxa de 3,4 suicídios por 100 mil habitantes.  “Em termo mundial é uma taxa considerada baixa, pois se considera alto um índice acima de 15 por 100 mil habitantes, mas ainda assim é preocupante o crescimento dessas mortes em nossa cidade. É uma questão de saúde pública”, frisou.

Ele acrescentou que a pessoa que tira sua vida o faz para matar algo ruim que está dentro dela. Nessa perspectiva a pessoa não quer morrer, mas acabar com uma dor que parece intransponível.

Dados mais recentes sobre o mapa da violência e ordenamento das capitais por taxa de suicídio na população total e na população jovem colocam Teresina na 1ª (9,6 mortes por 100 mil habitantes) e 2ª posição (14,4 mortes por 100 mil habitantes), respectivamente. Os dados cobrem os anos de 1998 a 2008. As capitais que se revezam com Teresina nesses dados são Porto Alegre (população total, 2º lugar) e Bom Vista (população jovem, 1º lugar).

Outro palestrante dessa mesa redonda, o professor e psicólogo social Emanoel Lima, pontuou que é preciso se aproximar desse objeto de estudo para entender quais as motivações do alto índice de suicídios em Teresina entre jovens. Ele acrescentou que a saúde coletiva é um campo que concentra uma complexidade do saber.

Segundo o psicólogo, o suicídio é também um problema complexo e requer um olhar e cuidado múltiplos. Na sua percepção o alto índice de morte por essa causa na capital piauiense pode estar ligado, dentre outras motivos, à pressão da cultura tradicional peculiar ao estado. “Nossas crianças e jovens são muito pressionados em termos de estudos e desempenho, por exemplo. Há também uma prescrição de identidades e  um incentivo ao consumismo”, supõe.

Em termos do luto dos sobreviventes ao suicídio a Dra. Karina Okajima destacou algo de grande importância, o fato de que é preciso viver o luto. “Muito mais importante que o tempo, que não cura nada, é dar sentido às vivências. Pergunte ao seu paciente o que foi (seu) com a pessoa que morreu e o que ela deixou. Amor é isso”.

Já acerca da morte e do luto, a psicóloga e antropóloga Patrícia Moreira, falou que àquela é vista como tabu neste século. “As pessoas não falam na morte, pois elas pensam que falando sobre o tema vão se contaminar”, diz Patrícia.

Em suma, a questão é complexa e ainda um desafio para as diversas áreas impactadas pelo suicídio, incluindo a psicologia. O tema precisa e deve ser discutido, inclusive pela imprensa, mas de modo profissional e ético (existe um manual da OMS de como a imprensa pode se comportar sobre o assunto e está disponível na Internet). Quanto mais se falar, mais pessoas poderão expor seus medos, angústias e dúvidas e ao contrário de cometer o ato podem ser demovidas da ideia. Falando sobre o assunto às pessoas podem também ter acesso a informações e serviços nos quais podem receber ajuda, como a de serem ouvidas. Entre estes serviços está o CVV (Centro de Valorização da Vida), que em Teresina atende pelo telefone 3222.0000.

 

Por Adriana Lemos – Jornalista e psicóloga
*Da equipe Cuidarte

Cachorro atrapalha ou ajuda no relacionamento?

A psicóloga humanista Adriana Lemos, que faz parte da equipe Cuidarte, foi fonte na matéria “Cachorro atrapalha ou ajuda no relacionamento?” do portal feminino Vila Mulher, abrigado no portal Terra. A matéria é assinada pela repórter Juliany Bernardo (MBPress) e traz entre outras discussões os pontos positivos e negativos de casais terem um cão no lugar de um filho.  A psicóloga pontua que nas  novas configurações familiares a presença de um animal de estimação no lar não é incomum e , muitas vezes, eles fazem o papel simbólico de um filho. “Ter o cão como um filho é, de certa forma, um hábito comum em grandes centros onde a vida é mais atribulada. Também por isso muitas vezes adia-se o momento de ter herdeiros”, comenta.

Foto: Arquivo pessoal  –  A psicóloga é  cachorreira e tem treinamento em Terapia Assistida por Animais ( TAA)

A matéria completa pode ser lida AQUI.

Abaixo leia a entrevista na íntegra:

Muitos casais optam por ter um cãozinho ao invés de filhos, mas como isso pode ser bom ou ruim para a relação?

Esse comportamento de possuir um cão, atribuindo a ele a função simbólica de um filho, faz parte das novas configurações familiares na modernidade, na qual os animais foram domesticados e passaram para o lado de dentro de casa como um membro da família. Os animais domésticos são considerados fontes de amizade, amor incondicional e eles ganharam (simbolicamente) atributos humanos ao longo do tempo de domesticação. Ter o cão como um filho é, de certa forma, um hábito comum em grandes centros onde a vida é mais atribulada e, por isso, muitas vezes adia-se o momento de ter filhos humanos. Para o cãozinho, o casal dispensa atenção, cuidados, amor, mas sabemos que, apesar da responsabilidade e tempo dispensado, não é a mesma coisa que cuidar de um bebê humano. Podemos deixar o cão sozinho por um período do dia, coisa impossível de fazer com uma criança, por exemplo.  Vejo a presença do cão como um ponto positivo na relação. De um modo geral, os cães são catalisadores das relações humanas. Eles servem como ponto de convergência para se iniciar um contato, uma conversa, discutir sobre gostos, cuidados; são também companhias que aceitam as pessoas como elas são, dão atenção e amor de modo incondicional e sem julgamentos. Geralmente ter um cão é um consenso do casal e dificilmente ele será ponto de brigas.

Quais os principais pontos positivos?

Como falei anteriormente, o cão é um catalisador da relação entre as pessoas. Então pode servir, por exemplo, como desculpa para a aproximação na tentativa de um diálogo no caso de uma briguinha de casal.

Quais os pontos negativos mais frequentes?

Entre os pontos negativos vejo o fato de ter o animal quando só um gosta de bichos, pois nesse caso o cão será motivo de atritos. Para criar um animal é preciso ter a clareza de posse responsável; ele é um ser vivo, e não um enfeite. Então o casal vai ter gastos, precisa levar para passear, ao veterinário, dispensar atenção. Outro ponto negativo é extrapolar a questão afetiva em relação ao animal. Em outras palavras, substituir os relacionamentos interpessoais pelo relacionamento só com o animal. Apesar de pontuar isto nunca tive o conhecimento desse fato.

O afeto pode aumentar com a presença do animal?

Sim, como já falei anteriormente o cão é um ponto de convergência para as relações entre as pessoas. Nesse contexto ele pode sim despertar mais afeto.

Pode existir o ciúme por parte de um dos cônjuges?

Sinceramente não tenho conhecimento disso, mas se acontecer a questão está no emocional/afetivo de quem sente ciúmes e a pessoa precisa trabalhar isso em terapia.

 Como dividir as tarefas sem estresse?

Como se faria com uma criança. É indicado que o casal se programe para ter o cão, divida tarefas e despesas. Negociar essas responsabilidades. Uma semana um leva para passear e ao banho, e na seguinte a responsabilidade é do outro.

Qual a raça mais indicada para casais?

Não existe uma raça para casais. A escolha da raça está ligada a gostos, tamanho e temperamento do animal, disponibilidade de espaço em casa, tempo para cuidar do bicho. Um casal que mora em apartamento não pode escolher ter um cão de grande porte ou que necessite se exercitar diariamente por longo período, por exemplo.

Se o apartamento for pequeno, como se deve adaptá-lo para a chegada do amigão?

É interessante adaptar. É importante lembrar que cão é bebê até oito meses um ano e nessa fase eles são bem danados, curiosos e brincalhões: rasgam, cavam, destroem. Delimitar áreas para ele circular boa parte do dia (sobretudo quando estiverem sós) é uma boa saída. Neste caso pode-se comprar um cercadinho para delimitar a área que ele vai ficar.

Volta às aulas sem ansiedade de separação

Saiba como ajudar seu filho a ter prazer nessa nova fase

Estamos num período de início do ano letivo e nessa época sempre vem à tona o assunto do primeiro dia aula do filho em idade pré-escolar ou mesmo o que vai entrar no primeiro ano do ensino fundamental. O momento é de tensão para pais e também para a criança. Afinal é momento de separação, de entrar em contato com o novo e como tudo que é feito pela primeira vez pode ser fonte de ansiedade e medo.

Mas a ocasião não precisa ser transformada em problema, ao contrário, pode ser fonte de prazer, descobertas e alegria para pais e a criança. É preciso ter em mente que a forma como esta reage ao primeiro dia na escola tem muito do modo como o fato é encarado e vivenciado pelos pais e/ou cuidadores.

Uma criança que é agarrada em demasia a mãe, que não é incentivada a fazer amizades e a ser independente tem maior probabilidade de sentir dificuldade de adaptação. Sua reação poderá ser o choro, medo, ansiedade. Pode até mesmo desencadear o transtorno de ansiedade de separação. Entre os sinais de alerta do transtorno de ansiedade de separação está o sofrimento excessivo e recorrente frente a ocorrência ou previsão de afastamento de casa ou de figuras importantes de vinculação.

Segundo o manual do Código Internacional de Doenças, o CID 10, é normal crianças pré-escolares mostrarem um grau de ansiedade em relação a separações, real ou ameaçadas, das pessoas as quais está vinculada, porém o transtorno só deve ser diagnosticado quando o medo de separação constitui o foco da ansiedade e quando tal ansiedade surge durante os primeiros anos. Então não fique pensando que qualquer choro ou aversão do filho em ficar na escola seja o transtorno, ok?!

A criança leva um tempo para se adaptar a nova rotina. Para que esse momento seja sem dramas é importante os pais prepararem ela para essa etapa, como falar da sua ida a escola. Contar que toda criança passa por esse processo, incentivar socializações, ficar um período observando na escola, conversar com professores.

Em seu site , a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, dá, em um artigo sobre o assunto, a seguinte dica, que julgo interessante: “É importante que os pais e parentes próximos se conscientizem da importância de mudar seus possíveis comportamentos ansiosos e tendência à preocupação devido ao impacto negativo causado nas crianças. Além disso, os pais devem promover os comportamentos independentes dos seus filhos. Os pais precisam incentivá-los a superar seus medos e, jamais, subestimarem sua competência para lidarem com situações temidas”.

Ao chegar a sua casa, após a escola, faça um resgate do dia da criança com ela e continue a incentivá-la na nova rotina.  Apoiar o filho em suas demandas é um dos caminhos a ser percorrido e isto o ajudará a se tornar mais seguro e independente. Lembre-se que o objetivo da educação de um modo global é dar aos pequenos autonomia, em outras palavras, asas para eles voarem e serem felizes!

 

*Adriana Lemos – Jornalista e Psicóloga humanista
*Da clínica Cuidarte