Saiba tudo sobre autismo e como tratar o transtorno

Em 2 de abril  aconteceu o dia mundial do autismo para conscientizar acerca do tema

 

O autismo caracteriza-se por um comportamento aparentemente alheio ao ambiente social, uma tendência a movimentos e vocalizações repetitivas, uma resistência variável, mas sempre presente, a mudanças na rotina e dificuldades típicas de aprendizagem de habilidades sociais e de autocuidados, cuja precocidade é impeditiva, causando um empobrecimento generalizado do repertório de conduta das pessoas afetadas pelo transtorno.

Esses problemas afetam praticamente todas as áreas do desenvolvimento e em diferentes intensidades.

Para compreender como se dá a intervenção comportamental, é necessário entender que princípios estão por trás da teoria. B.F. Skinner, um dos teóricos da Análise do Comportamento.

Ele defendia o estudo do comportamento com objetivos de prevenção e controle e propunha uma tecnologia do comportamento, assim com um planejamento cultural da sociedade.

Essas propostas coincidem com a influência da teoria darwiniana da seleção das espécies sobre a Análise do Comportamento. Partindo do pressuposto de que, assim como as espécies, os comportamentos e as culturas passam por processos de variação e seleção, cujos efeitos retroativos sobre os organismos e os grupos se mantêm na medida em que contribuem para sua sobrevivência.

É importante esclarecer que, para a Análise do Comportamento, o comportamento de uma pessoa é controlado por sua história genética e ambiental, sendo o próprio comportamento humano uma forma de controle. O controle sempre está presente, e é em grande parte social.

A ABA (Applied Behavior Analysis ou Análise do Comportamento Aplicada), como o próprio nome diz, é a aplicação da Análise do Comportamento ao estudo e à intervenção de comportamentos socialmente relevantes e em ambiente natural.

Ela utiliza-se de métodos baseados em princípios científicos do comportamento para construir repertórios socialmente relevantes e reduzir repertórios problemáticos.

Os pressupostos básicos são os comportamentos observados  passíveis de serem modificados, e a emissão de comportamentos considerados inadequados não são vista como sintoma de uma doença; todo comportamento possui uma função (causa); a emissão de comportamentos pode produzir diversas consequências, e baseado na análise funcional, podemos investigar o que mantém tal comportamento.

Dentro da perspectiva da Análise do Comportamento pode-se afirma que as pessoas com autismo apresentam dificuldade em responder a estímulos discriminativos sociais, ou seja, relativos aos comportamentos de outras pessoas. Muitos reagem a estímulos incondicionados em magnitude e latência diferentes da média das outras pessoas

A ABA se baseia em quatro passos: “1) avaliação inicial, 2) definição dos objetivos a serem alcançados, 3) elaboração de programas (procedimentos) e 4) avaliação do progresso”.

As avaliações iniciais estabelecem uma linha de base dos comportamentos do paciente, através de sua observação, da investigação periódica dos possíveis reforçadores. A partir daí são estabelecidos os objetivos, e o planejamento das tarefas é feito.

Um dos objetivos dessa abordagem é identificar as relações funcionais entre comportamentos problemáticos e eventos ambientais específicos e propor alternativas para se conseguir a mesma consequência com um comportamento diferente.

O analista do comportamento também prepara o ambiente para que novas habilidades possam ser aprendidas, não sem antes identificar as habilidades do paciente e as que precisa aprender.

Habilidades básicas tais como contato visual, sentar independente, seguir instruções simples e imitação motora devem ser ensinadas, se necessário, antes de se introduzir habilidades descritas em um currículo mais intermediário, tais como reconhecimento de objetos, nomeação, reconhecimento de números, atividades da vida diária (por exemplo: escovar os dentes ou lavar as mãos) e, finalmente, as habilidades pertinentes a um currículo mais avançado, tais como gramática, conceitos matemáticos, emoções.

É importante ressaltar que as intervenções se dão através de reforçamento positivo. O processo é lento, dividido em pequenos passos e constantemente avaliado, verificando-se a eficácia ou não do programa.

 

Flávia Barros
Psicóloga Comportamental
*Da equipe Cuidarte

 

 

Siga-nos e curta:

Abordagens são caminhos distintos que levam ao mesmo lugar

 

Saiba mais sobre as abordagens da psicologia e como funcionam.

Quando a gente quer chegar a um determinado lugar pensamos qual o melhor caminho para atingir nosso objetivo. Ponderamos, por exemplo, qual o percurso é mais curto. Podemos também considerar qual tem menos sinal de trânsito e assim, apesar de ser mais longo, possibilitará andar com mais rapidez Independente de escolher um ou outro, no final chegaremos ao mesmo lugar.

Em se falando de psicologia, melhor, nas abordagens psicológicas podemos fazer uma comparação com o relatado acima, no sentido de que podemos escolher uma das abordagens (caminhos) na hora de ser atendido (a) por um psicólogo e, independente de qual, alcançaremos nosso objetivo (autoconhecimento, acolhimento, alívio do sofrimento subjetivo).

Ao optar por uma ou outra abordagem psicológica, o que vai mudar na prática é o caminho escolhido para chegar ao objetivo. Em linhas gerais, o que difere uma abordagem da outra é a base teórica que a sustenta, bem como as técnicas usadas pelo profissional de psicologia para atender seu cliente/paciente.

Entre as abordagens mais conhecidas podemos citar a Psicanálise, a Humanista, a Comportamental e a Cognitivo-Comportamental.

De modo simples, a primeira trabalha com o inconsciente e com conceitos como id, ego, superego, pulsões, transferências e contra transferências. O método básico da psicanálise é o manejo da transferência e da resistência em análise.

Já a abordagem Humanista abarca conceitos apropriados da filosofia, tais como existencialismo e fenomenologia. E está mais centrada em acolher o sujeito em sua singularidade, importando-se menos com o sintoma (o que/transtorno/doença) e mais com o que o provoca (o como), o modo de o sujeito funcionar no mundo. Acredita nas potencialidades do ser humano e na sua capacidade de autorregulação.

A abordagem Comportamental ou Análise do comportamento, por outro lado, trabalha em termos de comportamentos, seus antecedentes e consequentes. Acredita que a pessoa  se comporta pela consequência de comportamentos anteriores. É uma abordagem de cunho educativo.

Como a anterior, a abordagem Cognitivo-Comportamental (TCC) é educativa, toma como base o arcabouço teórico daquela. Assim como a Análise do Comportamento, a TCC é mais diretiva, tendo como foco não só o comportamento, mas o pensamento.

Para a TCC o pensamento modifica o comportamento, já para a Análise do Comportamento o pensamento é uma classe de comportamento.

Após ter claras as diferenças entre as abordagens psicológicas, é escolher a que mais se adéqua às suas necessidades e desejos. Por fim, é importante destacar que a empatia com o profissional que vai lhe acompanhar é outro ponto a ser considerado.

Adriana Lemos
Psicóloga e Jornalista
*Da equipe Cuidarte

Siga-nos e curta:

Psicólogo ajuda paciente a enfrentar hospitalização

No contexto hospitalar,  esse profissional auxilia no manejo multidisciplinar.

Sabe-se que o processo de hospitalização altera a dinâmica da pessoa que o vivencia e interfere diretamente na saúde mental dessa pessoa, comprometendo a qualidade de vida e as respostas do sujeito ao tratamento administrado.

Quando o paciente procura o hospital, constata-se que a experiência de adoecimento assume várias conotações e constitui elemento importante a ser considerado no âmbito da assistência multidisciplinar, pois dada a sua variedade, envolve diferentes tipos de abordagens – seja nos aspectos biológico, psíquico (mental), social ou espiritual.

A abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental vem sendo também utilizada no contexto hospitalar ao auxiliar os indivíduos hospitalizados a terem um manejo mais adequado do quadro vivenciado, tendo em vista que ansiedade, depressão, hostilidade, hipocondria, estratégias passivas de enfrentamento e crenças frequentemente infundadas fazem parte do momento vivenciado pela grande maioria desses pacientes.

O significado pessoal e subjetivo que a enfermidade desperta no ser humano lhe possibilita reagir de formas diferentes ao adoecer. Desse modo, o suporte exclusivamente pautado no modelo biomédico passou a ser questionado, visto a necessidade de se valorizar os aspectos psicológicos e sociais; fato que aponta a relação destes com a saúde e a doença e representa o modelo biopsicossocial.

Tendo em vista, que esse modelo de terapia é de intervenção breve, semi-estruturada e orientada para metas, esta tem sido utilizada nos centros de pesquisa e tratamento de transtornos decorridos da hospitalização. Vários estudiosos da área avaliaram sua eficácia e relataram que um procedimento psicoterápico eficiente deve considerar o desenvolvimento de estratégias que produzam compreensão e modificação dos processos físicos e psicológicos do adoecimento, promovendo o conhecimento sobre a capacidade existente para lidar com essa situação.

Assim sendo, a atuação em Psicologia com abordagem na terapia cognitivo-comportamental junto ao paciente no contexto hospitalar, à medida que identifica e compreende fatores emocionais associados à experiência de adoecimento, resgata junto a ele estratégias de posicionamento ativo no tratamento. E neste contexto, busca trabalhar não somente conteúdos psíquicos subjacentes às limitações e incapacidades, mas, também, o que é saudável e possível de ser empreendido pelo paciente no transcurso de tal processo.

Carla Keline Marinheiro
Psicóloga Cognitivo-comportamental
*Da equipe Cuidarte

Siga-nos e curta:

Cuidarte oferece Terapia do Luto em grupo e individual

A clínica conta com profissionais especializados que conduzem a Terapia do Luto.

 

A Cuidarte Terapias Integradas está preparada para realizar trabalhos com grupos e dentre eles o que tem como tema o Luto, quer seja ele por perdas reais ou simbólicas. O grupo de Terapia do Luto está a cargo da psicóloga Celda Meireles, que nessa entrevista, fala sobre Tanatologia e explica o que é a Terapia do Luto, como ela acontece, bem como faz a diferenciação entre luto normal e o patológico.

 

O que é Tanatologia?

Literalmente é o estudo da morte, trazendo para o âmbito da Psicologia é ciência que estuda os processos emocionais e psicológicos que envolvem as reações à perda, ao luto e a morte.

O que é a Terapia do Luto?

É a terapia que visa ajudar as pessoas a enfrentar às dificuldades decorrentes de perdas reais ou simbólicas.

O luto é normal?

Sim. O luto é um processo normal e necessário porque a morte faz parte da vida. Estamos a todo o momento vivenciando perdas. Cada escolha que fazemos na vida representa uma perda, porém nem todas as pessoas conseguem passar por esse processo sem ajuda e algumas até adoecem em função de lutos mal elaborados.

Em que a terapia do luto pode ajudar as pessoas que sofreram perdas e que estão com dificuldade de enfrentá-las?

A terapia do luto ajuda a pessoa enlutada a realizar as tarefas do luto como a aceitar a realidade da perda, elaborar a dor da perda, ajustar-se a um ambiente onde está faltando a pessoa que faleceu, a reposicionar em termos emocionais a pessoa que faleceu e continuar a viver, sem necessariamente se sentir paralisada pela dor, ou adoecer por causa da dor.

Qual a diferença entre um luto normal e um luto patológico?

Em todo processo de luto é normal sentir falta, saudade, tristeza, chorar, querer ver a pessoa que morreu, sonhar, “ouvir” a voz do morto entre outras ocorrências. A intensidade dos sentimentos varia de acordo com o significado que a pessoa falecida tinha para quem fica. Esse significado pode está vinculado a diversos aspectos: afetivos, emocionais, dependência. Não existe luto sem sofrimento, mas em um processo de luto normal desde que a pessoa participe dos rituais (velório, condolências, enterro, missa de sétimo dia) que ajudam a realização da primeira tarefa do luto, que é aceitar a realidade da perda, ela pode vivenciar todo o processo sem ajuda profissional. Aos poucos voltar as suas atividades, poder contar com uma rede social de apoio formada por familiares e amigos, facilita a realização das outras tarefas do luto como elaborar a dor da perda e etc…

 

Quais os sintomas ou comportamentos indicam que uma pessoa não está tendo um processo de luto normal e que precisa de terapia do luto?

O tempo esperado para que cada tarefa do luto se realize pode sinalizar se o luto tende a se complicar. A família percebe a fixação de determinados comportamentos de uma pessoa em relação à perda. Pode acontecer depressão, dificuldade de voltar às atividades normais, não encontrar sentido para a vida, ir com freqüência ao cemitério, ressentir-se se as outras pessoas da família não comportarem-se de maneira semelhante a si mesma ou exigir que a família se reúna no cemitério em datas como Natal, Ano Novo, dia do aniversário do morto entre outros comportamentos.

 

Que tipo de atendimento pode ajudar uma pessoa com luto patológico?

Cada caso exige uma avaliação através de uma entrevista inicial para verificar se a pessoa pode ser incluída na terapia em grupo ou se há indicação para atendimento individual. O terapeuta também procura identificar em que fase do luto a pessoa se encontra para poder ajudar a finalizar o processo da melhor forma possível.

 

A terapia do luto é só para casos de morte?

Não. Pode ser indicada também em casos de separação, abortos espontâneos ou provocados, pessoas desaparecidas.

 

Como as pessoas podem procurar e receber atendimento?

A Cuidarte oferece atendimento a pessoas enlutadas individualmente ou em grupo. O psicólogo precisa ter pelo menos formação em Tanatologia e experiência de trabalho em grupo. Esse atendimento em Teresina pode ajudar as pessoas em todos os tipos de perdas, especialmente aos que perderam entes queridos por suicídio, devido ao alto índice dessa ocorrência em nossa cidade. O luto por suicídio é um tipo especial de luto, por essa razão, o grupo de atendimento aos enlutados por suicídio é homogêneo, ou seja, todos os participantes sofreram o mesmo tipo de perda.

 

Siga-nos e curta:

Família contemporânea é marcada pela diversidade

Os novos arranjos familiares modernos permitem diversas configurações.

A complexidade presente em torno da questão família é apontada de forma recorrente na bibliografia; um único conceito é insuficiente para abrangê-la, diversas configurações são possíveis. As perspectivas sociais de análise e interpretação das configurações familiares enfatizam que essas configurações são construídas sócio-historicamente.

Em relação à dinâmica interna dessa instituição social, percebemos que ao nascer um bebê, nascem simultaneamente tantos outros papéis familiares assumidos pelos pais, irmãos, tios, avós… São essas pessoas, através de suas interações com a criança, que vão favorecer algumas condições e direções para seu desenvolvimento, dentro de ambientes culturalmente organizados. Nesse contexto de discussão podemos afirmar que os conceitos de família atuais não obedecem ao conceito tradicional de família nuclear, pois as famílias são compostas por grupos que, com variadas composições, são unidos por laços de aliança, afinidade, solidariedade, respeito, cuidados mútuos, para além dos traços de consanguinidade. Além disso, as diferenças socioeconômicas e culturais alteram os vínculos familiares.

A diversidade também é uma característica das sociedades modernas, em que as famílias se tornam espaço de interação entre várias raças, etnias e religiões. Homens e mulheres compartilham funções que antes eram mais precisamente definidos por gênero. Nas famílias tradicionais, ao homem era atribuída a função de sustento da família, enquanto a mãe cuidava das crianças e do lar. Atualmente, observa-se, mesmo em um modelo de família nuclear, um grande número de pais que participam dos cuidados de seus filhos enquanto a esposa trabalha fora. Sobre as transformações ocorridas na família moderna as que mais comparecem na literatura da área são: a separação dos pais, o que gera algum prejuízo à criança e a participação feminina na força de trabalho, que pode acarretar um distanciamento dos filhos, pois eles acabam passando menos tempo com os pais, e, provavelmente, sendo educados e cuidados em outros ambientes e por outras pessoas.

As famílias monoparentais, que são aquelas que possuem apenas a mãe e os filhos ou o pai e os filhos têm aumentado, principalmente, as que são chefiadas por mulheres. Além da presença da mãe é marcante, nas famílias atuais a figura da avó como representativa de mulheres nas famílias. As funções anteriormente atribuídas ao pai como provedor da família são descentralizadas, tendo a mãe como cuidadora e mantedora das necessidades das famílias. Sobre as famílias resultantes de recasamentos, elas se formam por buscas de novos parceiros, ou mesmo provedores que possam ajudar nas despesas e responsabilidades da casa. Quanto à família adotiva, essa surge à medida que as crianças são abandonadas ou doadas. Nas famílias contemporâneas ainda encontramos as famílias resultantes de uniões homoafetivas, onde em muitos casos ocorre a adoção de crianças.

Percebemos que embora as famílias hoje, apresentem diversas configurações, são grandes as dificuldades encontradas na sociedade para aceitá-las, pois ainda é forte a ideia da família nuclear tradicional, em que o pai é o provedor e a mãe continua sendo a dona-de-casa em tempo integral.

 

Karine Rodrigues
Mestre em psicologia e Gestalt-terapeuta

Siga-nos e curta:

Tire as dúvidas sobre Transtorno Obsessivo-Compulsivo, TOC

 

 

O TOC é um problema comum e  atinge entre de 2 a 3% das pessoas ao longo de sua vida

Tem se verificado que o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um problema mais comum do que se imaginava, manifestando-se com diferentes níveis de gravidade. Pode ser leve, não acarretando maiores problemas, ou grave, incapacitando totalmente seus portadores, exigindo hospitalização e interferindo na vida de toda a família.

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) caracteriza-se pela presença de: pensamentos obsessivos ou obsessões que são idéias, imagens, sons, frases, lembranças, dúvidas ou impulsos, usualmente desagradáveis e acompanhados de apreensão ou angústia, que invadem a consciência contra a vontade da pessoa, de forma repetitiva e estereotipada, que apesar de considerá-las absurdas, estranhas ou exageradas, não consegue afastá-las. Mesmo assim tenta resistir a eles, ignorá-los ou suprimi-los com ações, atos mentais, ou com outros pensamentos, geralmente sem sucesso.

Tais comportamentos repetitivos também chamados de rituais ou compulsões, são executados com a finalidade de reduzir o desconforto ou apreensão que acompanha os pensamentos invasivos ou obsessões, ou para prevenir algum evento temido, ou mesmo em virtude de regras auto-impostas pelo indivíduo e que devem ser seguidas rigidamente. Geralmente não possuem conexão realística direta com o que desejam prevenir ou neutralizar e são claramente excessivos. Podem ser observáveis ou encobertos (atos mentais). Por exemplo, a necessidade intensa de lavar as mãos (compulsão) sempre que toca em algo que considera sujo ou contaminado (obsessão), ou repetir tantas “x” vezes um determinado número para que algo de ruim não aconteça.

O TOC é um transtorno crônico que, muitas vezes, se inicia na infância e acomete principalmente indivíduos jovens até os trinta anos, podendo durar toda a vida. Pode consumir muito tempo da pessoa na execução de rituais, ou ocupar sua mente por muitas horas durante o dia pelas obsessões impedindo-a de ocupar-se com pensamentos mais produtivos. O que agrava ainda mais o quadro é que tal comprometimento é sempre acompanhado de muita angústia, aflição, sentimentos de impotência, diminuição da auto-estima e depressão.

Muitos pacientes têm vergonha de seus rituais e até mesmo de seus pensamentos obsessivos, e em função disto procuram ocultá-los dos familiares, precisando esconder- se das demais pessoas para realizar atos que eles mesmos consideram absurdos. Como não conseguem controlar-se e evitá-los, interpretam tal necessidade como “mania”, uma espécie de loucura, fraqueza, desvio da conduta ou perversão, o que aumenta a auto- crítica e os sentimentos de culpa. Muitos familiares também não compreendem as manifestações do TOC, ainda mais que em muitas situações interferem de forma acentuada nas rotinas da própria família e no desempenho profissional ou escolar do paciente.

As obsessões mais comuns são as relacionadas com sujeira e/ou contaminação seguidas de compulsões ou rituais de lavagens (das mãos ou do corpo) e da necessidade de evitar de tocar em objetos ou pessoas, ou andar em lugares considerados contaminados. Também são comuns pensamentos relacionados com agressividade, medos absurdos de que possa acontecer algo de ruim para si ou seus familiares, sexualidade, dúvidas acompanhadas da dificuldade de tomar decisões, preocupações exageradas com exatidão, perfeccionismo, simetria, alinhamento ou lentidão para executar as tarefas do dia-a-dia.

As compulsões mais comuns são a necessidade de lavar repetidamente as mãos, as roupas, o corpo; evitar tocar em objetos considerados contaminados como por exemplo trincos de portas, corrimãos de escadarias ou ônibus, assentos de banheiros públicos, não usar toalhas dos demais membros da casa, não sentar em bancos de praças; verificar repetidamente portas e janelas; realizar contagens, rezas, repetir números ou palavras mentalmente; repetir atos, toques, gestos. Alguns pacientes são também extremamente lentos, geralmente em função das dúvidas antes de tomar decisões, ou de compulsões mentais. Na maioria das vezes existem diversos tipos de sintomas simultaneamente.

O TOC é bastante comum pois atinge entre de 2 a 3% das pessoas ao longo de sua vida e é considerado o quarto diagnóstico psiquiátrico mais freqüente. O início da doença ocorre na maioria das vezes antes dos 25 anos, predominantemente ao redor dos 20 anos, afetando igualmente homens e mulheres. A prevalência é bem maior entre familiares de primeiro grau e em adolescentes masculinos.

A ciência tem conseguido esclarecer vários fatos em relação à doença embora não consiga ainda esclarecer suas verdadeiras causas. Provavelmente concorrem vários fatores para o seu aparecimento, embora seja cada vez mais evidente a conexão do TOC com fatores de natureza biológica envolvendo aspectos genéticos, neuroquímica cerebral, lesões ou infecções cerebrais, e fatores psicológicos e até culturais.

Sabe-se ainda que fatores de natureza psicológica influem no surgimento, na manutenção e no agravamento dos sintomas de TOC. É bastante comum que os sintomas surjam depois de algum estresse psicológico; conflitos psíquicos agravam os sintomas, e tem cada vez ficado mais claras certas alterações no modo de pensar, de perceber e avaliar a realidade por parte destes pacientes. Eles tendem a supervalorizar a importância dos pensamentos como se pensar fosse o mesmo que agir; tendem a supervalorizar o risco e as possibilidades de ocorrerem eventos desastrosos ; tendem a superestimar a própria responsabilidade quanto a provocar ou prevenir eventos futuros; são perfeccionistas, perdendo muito tempo com a preocupação de fazer as coisas bem feitas e evitar possíveis falhas ou imperfeições e imaginam modificar o curso futuro dos acontecimentos com a execução dos rituais (pensamento mágico). Cada paciente pode apresentar uma ou mais destas distorções, que são mantidas mesmo as evidências sendo contrárias a elas, ou apesar de não terem comprovação na realidade.

Estes pacientes aprendem a usar rituais ou outras manobras psicológicas como atos mentais e a evitação como forma de aliviar a aflição que normalmente acompanha as obsessões, e por este motivo passam a repeti-los, mesmo que isto significa estar mantendo a doença.

Foram desenvolvidos tratamentos que conseguem melhorar a vida de mais de 80% dos pacientes e, em muitas situações, eliminar os sintomas por completo, através da  associação entre duas modalidades: o acompanhamento psicoterápico e psiquiátrico.

 

Flávia Barros
Psicóloga Comportamental
Da equipe Cuidarte

Siga-nos e curta:

Psicóloga da equipe Cuidarte dá dicas na revista Mais Feliz

Flávia Nobre fala de ações  que ajudam na dieta.

A psicóloga Flávia Barros  Nobre, da equipe Cuidarte Psicologia, dá dicas em matéria sobre dieta na revista Mais Feliz, da Editora Abril. A revista com  a matéria é a edição nº 23 de 20 fevereiro. Flávia, que segue a abordagem comportamental em seus atendimentos, fala sobre o que pode ser feito por aqueles que estão de dieta para ter sucesso no emagrecimento. A matéria pode ser conferida abaixo (clique na imagem para ampliar).

 

 

 

 

Siga-nos e curta:

Orientação vocacional é opção para escolher profissão

 

A escolha profissional na adolescência deve ter a cara de que a faz e refletir seus desejos e projeto de vida

 

A adolescência é o período da vida em que o jovem busca definir sua identidade, adquirir a imagem corporal e consolidar sua personalidade. O adolescente tem, portanto, como tarefa primordial, nessa etapa da vida, a definição de identidade pessoal: sexual, ideológica, religiosa e profissional.

O momento da tomada de decisão em relação a que profissão seguir pode gerar muita ansiedade, pois envolve aliar: interesses, aspirações, medos, exigências familiares, sociais e do mercado de trabalho.

A tomada de decisão que sempre foi um processo complexo no contexto atual parece ainda mais difícil, uma vez que é preciso “escolher” uma carreira em um mundo de incertezas e inversão de valores.

O ato de escolher reflete nosso desejo, nosso modo de ser e agir, nossa perspectiva de um futuro de realização e conquistas, daí a importância e significação na definição do nosso projeto de vida, projeto que deverá ter a nossa cara – a cara do adolescente.

Torna-se cada vez mais necessário aprender a tomar decisões e fazer transições manejando situações diversas e inesperadas na vida, o que é válido para adolescentes e adultos.

E é para intervir nas situações de angústias, incertezas, dúvidas e pressões vivenciadas pelo adolescente, que o orientador profissional deve estar preparado.

A Orientação Vocacional/Profissional configura-se como o campo de atividades que dispõe de conhecimentos teóricos e práticos destinados a facilitar o processo de “escolha” profissional e elaboração de projetos futuros, sobretudo, do adolescente.

A Orientação Profissional como área das ciências humanas precisa dispor cada vez mais de conhecimento teórico e prático em cada contexto social, político e econômico, considerando as diferentes de situações. As estratégias utilizadas nos procedimentos de intervenção, assim como a avaliação dos instrumentos, dos processos e dos resultados, requerem pesquisas contínuas e divulgação das mesmas no âmbito científico e, principalmente, no prático.

Na intervenção o orientador pode utilizar-se de diversos recursos, objetivando facilitar a reflexão e a tomada de consciência, por parte do orientando, das condições internas e externas que influenciam a “escolha” de uma profissão, assim como os graus de liberdade dessas escolhas.

Técnicas de entrevistas, técnicas psicodramáticas, de grupo operativo, entre outras técnicas grupais, podem ser utilizadas de acordo com o referencial teórico e prático que fundamenta a intervenção. Instrumentos de avaliação, tais como inventários de interesse, baterias de aptidões, testes de inteligência e de personalidade, técnicas gráficas, projetivas e expressivas também podem ser utilizados como recursos complementares tendo em vista a facilitação da escolha e desde que os profissionais conheçam os construtos teóricos e as normas para aplicação e interpretação dos resultados obtidos por meio dos instrumentos. Mas, principalmente, que tenham a clareza do por que, com quem e em que momento inserir alguma técnica, teste ou escala.

Usualmente, o processo de escolha profissional baseia-se em três grandes momentos: inicialmente, propõem-se a busca do autoconhecimento, o significado das escolhas na vida do indivíduo e os determinantes dessas escolhas. O segundo momento, representa o conhecimento da realidade profissional, com levantamento de informações sobre a atividade profissional, o mundo do trabalho e as formas de se capacitar para exercer a profissão. Por último, no terceiro momento, o orientando deve realizar uma síntese a partir dos diferentes elementos levantados ao longo do processo para tomar sua decisão, manifestando as condições que o levaram a decidir e as conseqüências imaginadas a curto e médio prazo de sua decisão.

Entendendo a dinâmica da adolescência no contexto cultural em que se desenvolve, busca-se identificar os fatores determinantes na construção e idealização de um projeto de vida, tendo por referência a dinâmica das relações estabelecidas, seja com a família seja na sociedade.

 Portanto a Orientação Profissional é criar condições para que a pessoa submetida ao projeto reflita sobre o processo e o ato de escolha profissional bem como o ingresso em uma atividade onde tais ações se processam.

Renata Forte
Psicóloga Clínica e Orientadora Profissional e Vocacional 
*Da equipe Cuidarte

Siga-nos e curta:

Sexualidade e câncer: saiba como lidar com a questão

Com o diagnóstico de câncer a libido fica reduzida. 

 

Diante do diagnóstico de câncer as pessoas passam a vivenciar muitos danos tanto físico como emocional, sendo relevantes os diversos estados emocionais como: a rebeldia, a negação e muitas vezes a depressão.

Falar de sexualidade neste contexto infere muitas reações frente à descoberta dessa doença que muitas vezes é mutiladora. O paciente passa a se preocupar mais com a recuperação da saúde, exames, medicações, internações, quimioterapia, cirurgia, radioterapia e outros. O desejo diminui muito, podendo até desaparecer prejudicando as fases do ciclo de resposta sexual do casal como: excitação (ereção homem e lubrificação vaginal mulher) e o orgasmo.

A atividade sexual, para a maioria das pessoas, não se desenvolve se houver muitas preocupações na cabeça. No caso da pessoa com câncer, a sexualidade fica em segundo plano. A pessoa passa a se ver com baixa auto-estima, triste e como medo intenso de não mais corresponder às demandas sexuais do parceiro. Agravando ainda mais quando o indivíduo se sente constrangido em comentar da sua vida sexual para seu médico. Além disso, nem todo profissional lembra ou sabe lhe dar com essa dificuldade do paciente.

A sexualidade é um dos pilares para que se tenha boa qualidade de vida e a psicoterapia é um grande aliado do paciente oncológico para que se consiga trabalhar eventuais transtornos, sendo muitos deles passageiros, podendo ser diminuídos ou mesmo eliminados recuperando o desejo.

Considerando todas as dificuldades, algo que é pouco discutido é a perda da libido com a quimioterapia, visto que se observam mais outros efeitos colaterais como a queda de cabelo, náusea, vômito e fadiga. A imagem corporal representa um papel importante na forma de encarar o sexo, a transformação ocasionada pelos tratamentos faz com que as pessoas tornem-se apreensivas e desconfortáveis em relação à intimidade sexual. Isto é completamente normal e tanto os homens como as mulheres podem desenvolver problemas de auto-estima que afetam diretamente a libido.

Como lidar melhor com a redução da libido:

O diálogo com o parceiro é fundamental, fortalece o relacionamento e ajuda na criação de maneiras criativas para manter a intimidade; como já mencionado, não pode esquecer-se de discutir com o oncologista, pois é ele que prescrever medicamentos para combater efeitos colaterais do tratamento; O terapeuta sexual é o profissional especialmente treinado para identificar e tratar os obstáculos que impedem de ter uma vida sexual saudável, inclusive a diminuição da libido diante de um tratamento médico; O psicoterapeuta também tem instrumentos para possibilitar a melhora na auto-estima, caso essa seja uma dificuldade vivida pelo paciente.

Falar de sexualidade é ir muito mais além de ato sexual em si. Os tempos atuais já nos permitem que si fale de sexo e sexualidade de forma mais aberta, permitindo que as pessoas conheçam mais sobre si mesma é necessário somente se permitir.

 

 

Kyslley Sá Urtiga

Psicóloga Clínica e Terapeuta Sexual
*Da equipe Cuidarte

 

 

 

 


Siga-nos e curta:

Terapia Assistida por Animais, que bicho é esse?!

     

Contato com animais pode ajudar o Homem a enfrentar questões dolorosas.

A Terapia Assistidas por Animais (TAA) é uma terapia complementar que usa animais (cães, gatos, cavalos, escargot) como recurso terapêutico. O animal serve como um catalisador das emoções e ponto de contato entre o terapeuta e o paciente.

Na psicoterapia individual ou de grupo, o contato com um cão, por exemplo, pode ajudar o cliente a enfrentar questões dolorosas e se comunicar melhor com o psicoterapeuta.

No Brasil, a TAA teve como uma das percussoras a psiquiatra Nise da Silveira, que percebeu que a responsabilidade de cuidar de um animal e o desenvolvimento de laços afetivos podem contribuir para a reabilitação de pessoas com transtornos mentais. Então ela incorporou os bichos, principalmente gatos, no seu trabalho como co-terapeutas.

A TAA está em processo de expansão no Brasil e vem sendo utilizada com bons resultados em projetos de atendimento a dependentes químicos, crianças com necessidades especiais, idosos que moram em abrigos, projetos pedagógicos, dentre outros.

Pesquisas realizadas mundo a fora indicam que o contato com um animal produz uma série de reações positivas no organismo, como baixar as taxas de colesterol e a pressão arterial. Já do lado emocional e psíquico, o contato com animais propicia melhoria da qualidade de vida, das relações interpessoais e da cognição.

 

Adriana Lemos
Psicóloga e Jornalista
* Da  equipe Cuidarte


Siga-nos e curta: