Os inimigos da felicidade e as lições de Epicuro

Se não sabemos quem somos, como é possível sabermos o que queremos?

A busca da felicidade é o combustível que move a humanidade. E está na moda — há workshops, testes em revistas, ranking de países felizes… Ser feliz é um imperativo — quase uma obrigação. Afinal, uma pessoa infeliz não é bem-vinda; é vista como mal-resolvida e fracassada e, portanto, alguém a evitar.

Porém, o tema não é novo. Há 2500 anos os pré-socráticos já faziam tratados sobre como alcançar uma vida feliz. Apesar dos anos de busca — e todo o conhecimento acumulado — está longe de ser uma conquista. E é sem surpresa que numa época em que se prega a felicidade a qualquer custo, é também a época recordista em casos de depressão .O Brasil está em quinto lugar, atrás de países como os EUA (1º) e Portugal (2º).

O fato é que continuamos tão frágeis e insatisfeitos quanto os homens da Grécia Antiga, com o agravante de que ser feliz hoje é muito mais difícil do que na Atenas de Platão. Vamos aos entraves — e começamos pelos mais recentes.

Os cientistas sociais afirmam que desde o século XIX passamos a endeusar as relações amorosas e o trabalho. Iniciou-se um crença (que dura até hoje) de que é através deles que encontramos a felicidade, ideia que não tinha ocorrido a ninguém até aí.

Continuando as estatísticas, no mundo ocidental estima-se que apenas 20% das pessoas gostam do seu trabalho. Isto significa que 80% são indiferentes ou não gostam do que fazem. No caso do Brasil, um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta para uma insatisfação de 90%. Sobre os níveis de felicidade nas relações amorosas, o assunto é ainda mais complicado. E quando falamos da satisfação de ambos em simultâneo, não há estatística possível.

As razões desses números estão à vista: o trabalho é escasso, as carreiras são voláteis; e há o desemprego e a aposentadoria que destroem o status conquistado. E, estranhamente, esses mesmos atributos identificados na vida profissional, também podem ser verificados nas relações amorosas.

Torna-te quem tu és

Contudo, a insatisfação no trabalho e no amor não são os únicos entraves. Um outro inimigo da felicidade é a falta de sentido. E mais importante do que a vida ter sentido, é que esse sentido seja estabelecido por você mesmo. Entra em cena a grande contribuição de Nietzsche para o pensamento moderno: a denúncia de que o homem está sem rumo próprio; em movimento, mas percorrendo um caminho que não é o seu.

Quando seguimos uma rota que não é a nossa, a trajetória é sem alegria e, quando chegamos ao destino, encontramos o vazio. E porquê não estamos no nosso próprio caminho? Porque hoje não é fácil encontrá-lo. A modernidade está saturada com o excesso de destinos, confusa pela falta de nitidez, embotada pela artificialidade das redes sociais e pela imensidão de solicitações que arrastam o homem para longe de si mesmo. Se não sabemos quem somos, como é possível sabermos o que queremos?

Outro obstáculo, talvez o maior, seja a inveja. Não se trata da inveja do outro — como tanto gostamos de acreditar — mas a nossa. O filósofo Alain de Botton ensina a fugir da inveja a todo custo e recomenda (com humor) que você nunca vá a um jantar de ex-alunos. É uma armadilha. Não existe nada mais fatal para a nossa autoestima e para acordar dentro de nós os piores sentimentos, aqueles que anulam a nossa lucidez.

Mas, por que especificamente ex-colegas? Você tem inveja da rainha da Inglaterra? Não. Como não ter inveja de uma das pessoas mais ricas do mundo? A monarca possui um caixa eletrônico só para ela, não pode ser acusada em tribunal (goza do estatuto de “incapaz de fazer mal”) e toma uma taça de champagne todos os dias… Nós não a invejamos porque não nos identificamos com ela. Só invejamos as pessoas que julgamos iguais a nós. E quanto mais acharmos parecidas conosco, mais vamos compararmos, mais vamos imaginar que o seu emprego, seu casamento, seus filhos são melhores do que os nossos.

O drama é que os ex-colegas não são as únicas fontes de cobiça. A globalização e suas portas e janelas escancaradas, o Facebook e o Instagram mostram-nos todos os dias outros para nos compararmos — e invejarmos.

A vida não é justa

Outro empecilho para a vida feliz é a crença de que vivemos numa sociedade em que o mérito será sempre recompensado. A meritocracia parece uma crença inofensiva, porém, o grande problema é o seu reverso. Se uma pessoa tem sucesso e está convencida de que tem porque merece; aquele que não é bem-sucedido (a maioria) é acusado e acusa-se a si mesmo de não ser merecedor.

Nessa lógica terrível, o que não queremos admitir — mas deveríamos — é que a vida não é justa. E já que entramos no terreno das crenças infundadas… a felicidade absoluta não é uma possibilidade. Essa crença que vendemos a nós mesmos (ou compramos de outros) é uma ilusão. E muito pior do que pregar o impossível, é pregar como possível, aquilo que não é.

Diante desse quadro, a filosofia oferece um vasto menu de alternativas. Um exemplo de um modelo para a felicidade possível pode estar nas lições de Epicuro. Suas ideias estão na categoria da filosofia prática e devido a sua eficácia, virou uma corrente filosófica, o epicurismo.

Ele ensina que você deve certificar-se de que persegue objetivos que são genuinamente seus e não ideias “adotadas” (dos pais ou da sociedade), para que depois de uma longa jornada, não constate que não era o que você queria. E quando descobrir que está num caminho que não é o seu; não permita que a inveja e a comparação com outro roubem a segurança e a energia para mudar de rumo e começar de novo.

Estime-se: reconheça (e aceite) suas limitações e invista nos seus pontos fortes. Você foi abandonado pelo cônjuge amado ou perdeu estatuto? Cerque-se de bons amigos, de pessoas que sabem quem você é e o apreciam independentemente do seu sucesso ou da sua riqueza. (E para adiantar o trabalho, livre-se o mais depressa possível das pessoas para quem o seu estatuto importa).

E, sobretudo, pense a sua vida sem as vertentes amor e trabalho (ou pelo menos que elas tenham um peso mínimo). Epicuro ensina a substituir a complexidade vazia do sucesso, do dinheiro, do poder, das curtidas no Facebook — inibidores da vida autêntica — pela literatura, pela arte, pela filosofia, pelos amigos, pela natureza…

Seja um praticante diário dos prazeres simples e você experimentará genuínos e inesquecíveis momentos de felicidade.

Fonte: Vida Simples
Texto: Margot Cardoso

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5 verdades que a pessoa emocionalmente madura deve aceitar

A pessoa emocionalmente madura aprende com suas dificuldades. O conceito de maturidade emocional foi um dos pilares das teorias de Albert Ellis, pai da terapia cognitivo-comportamental.

A pessoa emocionalmente madura sabe que a vida não é fácil ou justa. Por isso, não responsabiliza ninguém pela sua felicidade ou sofrimento, nem coloca a chave do seu bem-estar no bolso de outras pessoas. Ela se limita a assumir a responsabilidade por suas decisões, é arquiteta de cada um dos seus passos e escolhas, bem como de suas possíveis consequências.

O conceito de maturidade emocional foi um dos pilares das teorias de Albert Ellis. Assim, para aqueles que não conhecem o pai da terapia cognitivo-comportamental, cabe destacar que foi uma das figuras mais notáveis dentro da psicologia. Seu entusiasmo pela vida e por seu trabalho é difícil de igualar.

Escreveu mais de 80 livros, 1800 artigos, formou mais de 200 terapeutas e criou um instituto que leva seu nome, onde ensina as pessoas a identificar, questionar e substituir suas crenças negativas ou limitantes por outras mais saudáveis. Aquelas que promovem o bem-estar e o crescimento emocional para que a pessoa possa conquistar seus próprios objetivos.

Assim, em todos os seus trabalhos emerge sempre a necessidade de transmitir ferramentas básicas com as quais facilitar o nosso crescimento e maturidade como seres humanos. Essas chaves ou princípios que expomos a seguir contêm a essência desse conhecimento que Albert Ellis nos deu através do que ele considerava seu verdadeiro propósito: tornar o sofrimentomais manejável.

A pessoa emocionalmente madura entende que o mundo não é como deseja

Muitos de nós gostariam de poder editar o passado. Ser como o escritor que termina um capítulo e decide apagar certos parágrafos para que a história faça mais sentido.

No entanto, quer acreditemos ou não, às vezes a vida não tem sentido. Há coisas que acontecem sem qualquer explicação; são eventos, fatos e circunstâncias que somos obrigados a aceitar para continuar avançando.

Da mesma forma, a pessoa emocionalmente madura aprendeu que não pode mudar as pessoas. Não pode esperar que os outros ajam ou digam o que se espera. Tudo isso é, sem dúvida, mais uma fonte de sofrimento inútil.

Sabe que para ser feliz, deve ser responsável por si mesma

Bertrand Malle, psicólogo cognitivo da Universidade de Brown, realizou um estudo em 2004 para analisar a relação entre a felicidade e a forma como a nossa mente entende o conceito de responsabilidade pessoal.

Assim, um fato que permanece em evidência é que o ato de assumir que a responsabilidade pelo que nos acontece está nas mãos dos outros gera um claro desconforto. É como viver no território de avestruzes, é esconder a cabeça enquanto culpamos o mundo por nossos fracassos e desânimos.

Fica claro, no entanto, que não temos controle sobre todos os aspectos da nossa realidade. No entanto, temos a oportunidade de escolher como agir diante da realidade que temos que viver. É aí que reside a chave; este é, sem dúvida, o plano de rota que a pessoa emocionalmente madura tem em mente todos os dias.

Descobriu que tem permissão para mudar quando quiser

A pessoa emocionalmente madura se permite mudar. Porque mudar é crescer e é ajustar o curso com maior precisão depois de ter adquirido novos aprendizados.

Dar um passo adiante no nosso crescimento muitas vezes significa deixar as coisas e as pessoas para trás para reduzir as cargas que nos limitam, corroem valores pessoais e o bem-estar. Algo assim implica reunir coragem para entender que o nosso potencial está em assumir mudanças periodicamente.

Deve carregar uma bússola emocional no seu bolso

Em cada viagem ao longo de nossos caminhos vitais, precisamos de uma bússola emocional. Uma que sempre nos oriente para o norte, onde os medos não pesam demais, onde não há angústias e onde a ansiedade não diminui nossos passos.

A pessoa emocionalmente madura aprendeu a lidar com os estados que lhe trouxeram consequências indesejáveis, a partir dos quais, de algum modo, obteve conhecimento. Porque toda bússola deve estar bem calibrada, e isso é aprendido através da experiência, estando mais atentos aos estados internos, aos pensamentos irracionais, às emoções que tiram o pior de nós mesmos.

Não é preciso estar apaixonado para ser feliz

A pessoa emocionalmente madura não busca o amor obsessivamente. Não o evita, não foge dele, mas tampouco o necessita. Porque se há algo que entende é que em questões afetivas o que vale a pena, o que conta, é poder continuar crescendo. Continuar aprendendo junto com alguém que enriquece a jornada da vida, uma pessoa que não veta valores emocionais, mas que os impulsiona e os expande.

Assim, no coração de alguém emocionalmente maduro só cabem os amores que sabe equilibrar, os sonhos e projetos onde todos podem seguir seus objetivos, mas tendo um espaço em comum. Se isso não acontecer, a solidão sempre será preferível, porque nesse território podem habitar o bem-estar e a satisfação pessoal.

Para concluir, um aspecto deve ser observado. Ninguém chega neste mundo sendo uma pessoa emocionalmente madura; este assunto é aprendido ao longo do tempo, e dia após dia novas e melhores habilidades são adquiridas para incluir em nossa bagagem existencial. Portanto, sejamos receptivos a esse tipo de aprendizado.

Fonte: Mente Maravilhosa

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O que aprendi com a síndrome do pânico

Ressignificar o tempo, as experiências e as memórias faz parte do processo.

Eram 4 horas da manhã quando liguei para minha mãe. Eu havia acordado me sentindo sufocada, agoniada – numa crise da qual não me esqueço. Mil pensamentos passando pela cabeça e a urgência em sair de casa em busca de um lugar seguro. Ela recebeu minha ligação assustada, e pensou que eu estava tendo um ataque cardíaco. Mas eu sabia que aquele era o auge da minha crise de ansiedade, o episódio inicial de uma fase aguda de síndrome do pânico que duraria dois meses e da qual hoje, após um processo de autoconhecimento, já me sinto melhor.

Na noite daquela terça-feira, eu havia recebido uma mensagem pelo celular com uma notícia que me deixou muito mal: um colega havia tirado a própria vida. Ele tinha depressão, e fiquei me perguntando o que se passava na cabeça dele. Eu já estava lidando, havia alguns anos, com momentos de profundo estresse na empresa, e constantemente enfrentando episódios de ansiedade. Me sentia angustiada e com uma sensação ruim…Mas sempre fui vista como uma pessoa equilibrada e organizada. E, naquela crise, experimentei uma sensação diferente do que era ser eu. Perdi o controle de mim mesma. Tive taquicardia, sensação de asfixia, e a mente martelava ideias bagunçadas, desconexas. Me assustei, eu não era assim.

Minha mãe estava na casa da minha irmã, que havia tido bebê recentemente. E foi para lá que segui, no meio da madrugada. Peguei o carro e fui para aquele que seria o único refúgio seguro no qual eu poderia estar. O quarto da minha pequena sobrinha se tornou meu abrigo por um mês, no auge da crise de pânico. Com apenas 8 meses, ela já dormia segura no seu bercinho. E eu, aos 38, voltava a ser criança, e só conseguia pegar no sono segurando a mão da minha mãe. Quando a bebê acordava no meio da noite para mamar, eu já estava desperta. É que as crises não me permitiam uma noite inteira de sono, e a cada duas horas abria os olhos, muitas vezes com os mesmos sintomas que pareciam não querer me deixar tão cedo.

No quadro de síndrome do pânico, os pensamentos ficam emaranhados; os sentimentos, embaçados. Enquanto a agonia só cresce dentro de você. Essa morada provisória traz muitos desconfortos. É como se um inquilino passasse a habitar sua própria casa sem o seu consentimento. Você fica sem saber como agir, pois qualquer reação é desconhecida e imprevisível. Naquele período, tudo me fazia lembrar do meu colega e daquele episódio que eu lutava dia e noite para esquecer. No meio dessa confusão, fui tomada pelo desespero. Pela minha cabeça passaram pensamentos tão absurdos que eu cheguei a temer a perda da lucidez. Rezava diariamente, para que Deus guiasse meus caminhos.

Uma viagem para dentro

Durante essa jornada, peregrinei dentro de mim mesma. Buscava a cura para a desordem e o barulho interno. É como se eu precisasse convencer minha mente de que aquele inferno passaria. Achei numa canção da banda Coldplay os versos para expressar um transtorno de pânico. “Ninguém disse que era fácil. Ninguém jamais disse que seria tão difícil assim. Oh, me leve de volta ao começo”, diz a letra de The Scientist. Esse começo é o ponto de chegada de quem, assim como eu, já sofreu ou convive com a síndrome. Voltar ao zero e retomar a posse da própria vida. Ressignificar o tempo, as experiências e as memórias. Busquei tratamento logo. Eu queria me reconhecer novamente.

Nesse sentido, as sessões de hipnose me ajudaram mais do que eu poderia imaginar. O Dr. Diego Wildberger me fez voltar ao passado e remexer nas memórias mais profundas. Nelas, eu mergulhava em tudo o que me trazia desconforto. Em situações das quais eu nem lembrava mais, ou outras das quais jamais esqueci, como o falecimento do meu pai, há 14 anos. Ou mesmo os tempos de escola em que sofri bullying: eu não tinha noção das consequências daquele período. Era muito tímida e guardava tudo — como ainda fazia depois de adulta em diversos momentos da minha vida.

Diego também me ensinou a reprogramar a forma ansiosa como eu pensava as situações futuras e também a respirar de um jeito que me regulasse os hormônios de bem-estar, ajudando no controle das crises. O que acontece durante esses episódios é que o organismo ativa o sistema de luta-fuga, e reações são desencadeadas pela mente com reflexos no corpo. Surgem os sintomas físicos e, em algumas pessoas, até a paralisia. Aos poucos, as crises foram perdendo força após as técnicas de hipnose, os exercícios de relaxamento e as conversas francas sobre minhas memórias e medos.

Ao mesmo tempo eu também busquei acompanhamento psiquiátrico. O Dr. Lauro Tonhá me confirmou que a síndrome do pânico não surgia de repente. Em quadros de estresse ou depressão, episódios de pânico podem se manifestar como consequência de outras síndromes. Segundo ele, “o pânico é uma ansiedade maior, em que você chega a ter a sensação de desrealização, perda de controle total e morte iminente”. Além da medicação, também recebi uma prescrição fundamental para me ajudar: a prática de atividade física. E fiz um curso de meditação e também busquei apoio nas missas de libertação. Nelas, eu escrevia em uma folha tudo o que queria que fosse embora. Pode parecer pequeno, mas colocar isso no papel era um jeito de tirar um pouco de mim.

Um novo começo

Após um mês, consegui voltar ao meu apartamento. Era um lugar que eu adorava, mas que cogitei vender porque não me sentia segura só. Minha mãe então ficou comigo por dois meses e aos poucos as coisas foram melhorando. Achei que a doença tomaria conta de mim e que poderia durar uma infinidade de tempo. Sem um senso de razão ativado, tudo era incerto. Ainda bem que não foi assim pra sempre. Com alguns meses de tratamento, já me sentia melhor. Mas vez ou outra surgiam situações que funcionavam como um gatilho para me colocar no meio de uma crise. Com doses de remédio, atividade física, hipnoterapia e meditação, aprendi a controlar minhas reações em situações difíceis.

Também tomei uma decisão que transformou minha rotina. Propus uma redução na minha jornada de trabalho, mesmo significando ganhar menos. Em vez de oito horas, hoje trabalho seis. Percebi que nem sempre as situações externas vão mudar, nem há como acabar com momentos estressantes. Mas podemos agir de forma diferente diante delas. Deixei de engolir tudo e passei a expor o que sinto. Tudo mudou.

Percebi que existe muito preconceito em torno das doenças psicológicas. Quando alguém próximo tem, não damos atenção, porque não é algo tão perceptível como uma doença física. Afinal, enquanto a pessoa com depressão ou ansiedade ainda é capaz de seguir sua rotina, ninguém desconfia do que ela passa — ou tudo não parece mais do que frescura. Já quem enfrenta isso se vê perdendo a própria personalidade, com medo dos rótulos que levam ao silêncio e à vergonha.

Por isso acho que precisamos falar mais sobre o assunto. A síndrome do pânico foi o pior momento da minha vida, mais até que a morte do meu pai, que eu amava tanto, que era meu herói. Mas ela também foi um divisor de águas, que me colocou dentro de mim, das minhas emoções, e me fez rever o que não me fazia bem e não carregar mais nada que não é meu, não receber lixo de ninguém. Até meus relacionamentos melhoraram. Hoje comemoro cada momento como se fosse único. Viver de forma plena, verdadeira e sincera é o que mais importa.

Fonte: Vida Simples
Texto: Laila Azevedo

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Estudo de 80 anos de Harvard descobre o real motivo da felicidade

O que é felicidade? Essa é uma daquelas perguntas que a ciência simplesmente não consegue responder. Ou, pelo menos, é o que nós pensamos. Desde 1938, um grupo de pesquisadores de Harvard vem trabalhando na questão por meio de um estudo geracional realizado com centenas de homens norte-americanos.

Na verdade, trata-se de uma combinação de dois estudos diferentes: o Grant, que se concentrou em 268 homens formados em Harvard nas classes de 1939 a 1944; e o Glueck, que se concentrou em 456 homens que cresceram no centro da cidade de Boston. O propósito de ambos os estudos era descobrir quais fatores sociais, biológicos e pessoais podem ser considerados os melhores indicadores de felicidade na velhice.

Relacionamentos calorosos
Nas últimas oito décadas, os mais de 700 participantes mantiveram contato com os pesquisadores por meio de uma série de visitas regulares. A cada dois anos, os homens eram (e ainda são) solicitados a preencher um questionário sobre saúde física e mental, casamento, carreira e, eventualmente, aposentadoria. E a cada cinco ou dez anos, alguns participavam de entrevistas mais detalhadas sobre felicidade geral e a situação de suas vidas no momento.

Segundo George Vaillant, diretor do estudo, todos os dados obtidos podem ser resumidos em apenas cinco palavras: “felicidade é amor. Ponto-final”. Segundo ele, a melhor variável que previa a felicidade ao final da vida era o número de “relacionamentos calorosos” que os homens tiveram.

O estudo descobriu que aqueles que mantiveram um relacionamento afetuoso com suas mães ganhavam em média 87 mil dólares a mais por ano do que os que não mantiveram. Já os que estavam próximos a seus pais demonstraram estar mais satisfeitos ao final da vida. Mas foram os relacionamentos por volta dos 47 anos que provaram ser os melhores indicadores de felicidade aos 80 e 90 anos de idade.

Segunda geração
Agora que uma geração completa já passou desde o início dos experimentos (os primeiros participantes que ainda estão vivos são todos centenários), o estudo começou a expandir seu foco. A segunda geração do projeto tem uma missão semelhante à da anterior, mas seus participantes são os filhos e enteados dos homens do estudo original. Juntamente aos dados coletados no século passado, eles poderão pintar um quadro mais completo da felicidade no mundo moderno.

O estudo agora vai ser expandido para incluir fatores mais remotos, como a felicidade dos pais dos participantes e a força dos seus relacionamentos. Em suma, a pesquisa está descobrindo que a felicidade cresce quando estamos todos intimamente conectados, e isso significa que ela pode ter mais a ver com a felicidade dos outros do que você pensava anteriormente.

Fonte: Megacurioso

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O que acontece com seu cérebro se você largar o Facebook?

Dois estudos publicados recentemente concluem que ‘desaparecer’ do Facebook reduz os sentimentos depressivos e melhora nosso bem-estar.

O Homo sapiens de 300.000 anos atrás teria adorado o Facebook. Sua sobrevivência e reprodução dependiam de poderem contar uns aos outros onde caçar bisões e que áreas eram perigosas, conta Yuval Noah Harari em Sapiens, mas também de “saber quem da sua turma odeia quem, quem dorme com quem, quem é honesto e quem é trapaceiro”. A fofoca é uma das teorias que explicam a origem da linguagem entre os humanos. O Facebook, com 2,3 bilhões de contas ativas, ajuda a nos conectarmos e compartilharmos nossa vida com nossos amigos/conhecidos. Somos animais sociais, e nos relacionar com os outros é uma das fontes de felicidade do ser humano. Mas qual é o impacto das redes sociais sobre nossas atitudes, nossas rotinas, nossos comportamentos, nosso humor…? Dois estudos buscaram responder a estas perguntas fazendo alguns usuários desaparecerem temporariamente.

“Um mês fora do Facebook aumenta o bem-estar geral, reduz a ansiedade, a depressão e o tempo dedicado posteriormente a esta rede social”, segundo a pesquisa das universidades NYU e Stanford. Trata-se da maior análise já feita sobre os efeitos do Facebook em nossos cotidianos e hábitos.

Como concluíram isso? Com o mesmo método que os laboratórios farmacêuticos usam para saber se um remédio funciona: escolheram um grupo de 2.844 usuários que cumpriam os requisitos e os dividiram aleatoriamente. A uns deram o tratamento, um mês de abstinência do Facebook, e ao outro, o grupo de controle, permitiram que continuassem conectados. O experimento consistiu em monitorar as diferenças entre os dois grupos.

“Os aumentos no bem-estar geral são pequenos, mas muito significativos”, dizem os autores, liderados por Hunt Allcott. As pessoas que estavam fora do mundo dos likes respondia aos pesquisadores que se sentiam mais feliz, mais satisfeitos com sua vida e com menos depressão e ansiedade. Essa melhora equivalia a 25% – 40% dos benefícios oferecidos por uma terapia psicológica.

O outro estudo publicado dias antes, da Universidade A&M do Texas, não encontrava um efeito relevante na felicidade. Nessa pesquisa, a desativação da rede social durou só uma semana, mas mesmo assim se constatou, de forma compatível com o estudo mencionado antes, uma redução de 17% nos sentimentos depressivos.

Como isso se explica? Uma possibilidade é a teoria da comparação social. O Facebook pode alimentar sentimentos de inveja e frustração se decidirmos que o valor de nossa vida social e pessoal varia em função de como vai o resto. Porque, sejamos sinceros, a maioria tende a compartilhar seu melhor momento ou foto do dia, e isso pode gerar a falsa ideia de que a vida dos nossos amigos é maravilhosa, e que a nossa não faz sentido.

Menos polarização

Muita gente usa as redes sociais para se informar, por isso não surpreendeu que os usuários que desativaram sua conta do Facebook estavam menos a par das notícias. Tampouco se deram ao trabalho de se conectar a outros canais tradicionais, como a rádio, a televisão ou os jornais.

Mas nesse capítulo de perguntas do estudo, o impacto mais relevante foi na polarização. No grupo de usuários abstêmios, reduziu-se a divisão de opiniões com relação a questões políticas – na verdade, aumentava a capacidade de entender o outro lado. Para se ter uma ideia desse impacto, se o nível de polarização na sociedade norte-americana aumentou 100 pontos entre 2006 e 2016, um mês fora do Facebook reduziu esse indicador em 42 pontos.

Este resultado põe em destaque também o papel dessa rede social na sociedade, além de seu polêmico papel na difusão das notícias falsas. As democracias se baseiam numa opinião pública bem informada, diz Cass Sunstein, ex-assessor de Barack Obama, em seu livro #Republic. Esse especialista em regulação acredita que as redes sociais deveriam introduzir certa aleatoriedade em seus algoritmos. Se só nos recomendarem notícias que acham/sabem que vão nos agradar, afinal o que estão gerando são câmaras de eco nas quais a única opinião que ouvimos é a nossa. Com essa visão da realidade é muito complicado entender alguém que não pense como nós, daí a polarização para a qual as redes sociais aparentemente contribuem.

Uma hora livre por dia
Talvez o maior presente pessoal de deixar o Facebook eram 60 minutos liberados por dia. Os usuários desconectados passaram mais tempo com os amigos, a família, saíram para jantar fora mais vezes e também passaram mais momentos vendo televisão sozinhos. Em geral, ocuparam seu novo tempo livre com atividades mais saudáveis, e isso se refletiu em seu estado de ânimo.

Surpreendentemente, menos Facebook não se traduziu em mais tempo em outras redes sociais ou diante da tela. Além do mais, reduziu-se a atenção a outros aplicativos, como Spotify e Tinder. Sem uma timeline para seguir, você tampouco visita todos aqueles sites que nossos amigos recomendam.

Vida fora da timeline
Entre o grupo dos que se desconectaram, 43% se dispuseram a dedicar menos atenção à sua timeline no futuro (contra 22% do grupo de controle), e de fato conseguiram: 12 minutos a menos em média. De fato, nove semanas depois do final do projeto, 5% do grupo de tratamento continuava sem reativar sua conta. “Quanto maior o tempo desligado, mais valorizavam os efeitos.”

Quanto vale o Facebook?
E aqui terminam as más notícias para a empresa de Mark Zuckerberg. Quando se pergunta aos usuários quanto dinheiro eles exigiriam para desativar sua conta do Facebook durante um ano, a resposta varia entre 1.000 e 2.000 dólares (3.750 a 7.500 reais, aproximadamente). Multiplique isso pelo número de usuários nos Estados Unidos… As pessoas valorizam muito a experiência de poder estar em contato com seus amigos com tanta facilidade. Tudo bem, isso é porque não sabem que sua vida pode ser igualmente maravilhosa se desativarem suas contas, certo?

Não. Quem aceitou desaparecer durante um mês pediu apenas 102 dólares em troca. Depois desses dias, de maior bem-estar geral, menos depressão, hábitos mais saudáveis, voltaram a ser perguntados: quanto exigiria para ficar mais um mês fora? A cifra caiu para 87 dólares. Como é possível? Talvez as pessoas apreciem muito saber o que estão fazendo seus amigos, o que eles leem, do que falam… mesmo que isso lhes gere certo estresse, explicam os autores do primeiro estudo.

No caso do experimento de desativação durante uma semana, a quantia que os usuários pediram para ficar mais sete dias fora da rede social aumentou 15% (de 10,7 para 12,3 dólares). Nesse caso, os pesquisadores propõem outra explicação. “A resposta é consistente com a retirada dos efeitos de um bem aditivo. Se ficar no Facebook gera dependência, então uma semana fora da rede deveria aumentar o desejo de voltar para ela.”

Fonte: El Pais

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Insônia: conheça os alimentos que ajudam a garantir a noite de sono

Em meio à agitação do dia a dia, a hora de dormir deveria ser um refúgio para o corpo e a mente. Mas não é bem assim com todo mundo. No Brasil, cerca de 72% da população sofre de doenças relacionadas ao sono, segundo estudo da Royal Philips. Pois a alimentação adequada ajuda, e muito, para garantir uma noite de repouso mais tranquila.

Antes, é necessário entender o que provoca os distúrbios do sono.  Existem três tipos de insônia, variando conforme a intensidade da mesma. As transitórias são aquelas ocasionais, que ocorrem em períodos de maior estresse, tensão e ansiedade

Insônias de curta duração são ocasionadas por situações acentuadas de estresse, durando até três semanas. Já os casos de longa duração – três semanas ou mais – são provocados por situações extremas, como depressão, efeitos de drogas e álcool. As principais consequências que a insônia provoca são fadiga, irritabilidade e agressividade no dia seguinte.

Dieta

Assim, a alimentação entra nessa história da seguinte forma: por meio de dietas que insiram alimentos que combatem a ansiedade e que ajudam no relaxamento natural. O objetivo é eliminar ou reduzir o consumo de itens que estimulam e atrapalham a qualidade do sono

Substituições

A primeira coisa a se fazer é evitar produtos estimulantes como cafeína, açúcar, ou aqueles que contenham grande quantidade de conservante. Alguns alimentos que podem ser consumidos para combater a insônia são: banana (Rico em potássio e triptofano, a fruta ajuda nos controles de ansiedade e compulsão); brócolis (abundante em magnésio, nutriente responsável pelo relaxamento muscular); e a água de coco (fonte de diversos nutrientes que causam saciedade e ajudam a controlar a compulsão).

Tem ainda a carne de boi, rica em vitamina B3, responsável pela produção de serotonina, o “neurotransmissor do sono”, o ovo, cujo alto teor de proteínas ajuda no controle de problemas relativos à depressão, e o abacate, abundante em Beta sitosterol que é importante modulador do hormônio do estresse (cortisol), responsável pela insônia,

Fonte:Estadão Conteúdo

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Neofobia alimentar: dicas para superar o problema

Seu filho se recusa a conhecer alimentos diferentes? Fique tranquilo, pois você não é o único a ter que lidar com isso. A neofobia alimentar, cujo significado literal é “medo de experimentar alimentos desconhecidos”, refere-se ao fato de rejeitar novos produtos alimentares – algo atribuído a um comportamento característico de uma etapa do desenvolvimento infantil.

Essa relutância em provar novos alimentos é característica de todos os animais onívoros, entre os quais podemos nos colocar. É uma reação inata de segurança diante dos potenciais perigos de um ambiente em que muitos alimentos podem ser tóxicos. Assim, diante do contato com novos produtos, a atitude é de precaução, evitando-os sempre que possível.

Legumes e as verduras

Como a criança apresenta uma preferência inata ao sabor doce, essa rejeição costuma acontecer mais frequentemente com os legumes e as verduras – que são importantíssimos para que os pequenos recebam todos os nutrientes e vitaminas necessários.

Como lidar

O que os pais podem fazer para as crianças consumirem esses alimentos? A resposta é: continuar oferecendo! A criança precisa experimentar o mesmo alimento entre oito e dez vezes para poder definir se realmente não gosta dele. Por isso, a dica é apresentá-lo de formas diferentes para o seu filho, procurando sempre variar os formatos, cores, texturas e temperatura das receitas.

Métodos

Existem algumas maneiras de se fazer isso. Uma delas é disfarçar os alimentos, ou seja, camuflar os ingredientes durante o preparo. Isso faz com quem a criança se acostume com o sabor de determinado alimento

Outro método é incrementar o visual dos pratos preferidos. Pizzas ou canelone com vegetais podem ganhar uma nova cara, aguçando, assim, o paladar do seu pequeno

Por fim, a alternativa é investir na diversão, trazendo o lúdico para a mesa. Ofereça comidas divertidas e que explorem a imaginação da criança. Usar os ingredientes para montar um rostinho, colocando ovos ou azeitonas cortadas representando os olhos e um tomate cereja como nariz pode ajudar a estimular o apetite. Aqui, a criatividade é fundamental!

 

Fonte: Estadão Conteúdo07

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Exercício pode proteger de depressão, aponta estudo

06Exercício pode proteger de depressão, aponta estudo

Pesquisa comprovou o potencial da atividade física para prevenir o transtorno. Mais de 300 milhões sofrem de depressão.

Desordem que atinge cerca de 300 milhões de pessoas de todas as idades no mundo, a depressão não é de hoje alvo de pesquisas que buscam possíveis formas de preveni-la. E uma das linhas de investigação é o impacto que podem ter as atividades físicas. Um novo trabalho publicado agora em janeiro, reforça a estratégia.

A pesquisa teve como premissa uma abordagem genética para avaliar o potencial de proteção que fazer algum tipo de exercício pode ter contra o risco de desenvolver depressão.

Para fazer a análise, os pesquisadores, liderados por Karmel Choi, da Unidade de Psiquiatria e Genética do Neurodesenvolvimento do Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos, identificaram e cruzaram variantes genéticas de resultados de estudos de larga escala feitos para atividade física no Reino Unido e para depressão em um consórcio global.

No caso dos exercícios, foram considerados dois levantamentos: um com 377 mil pessoas, que preencheram relatórios sobre seu nível de atividade; e um outro com 91 mil pessoas que usaram sensores de movimento no pulso, conhecidos como acelerômetros. O banco de dados de depressão incluía informações de 143 mil pessoas com e sem a doença.

Os resultados do trabalho, publicado na revista Jama Psychiatry, indicaram que a atividade física registrada no acelerômetro – mas não a atividade autorreferida – parece exercer uma potencial proteção contra o risco de desenvolver depressão.

Para os autores, as diferenças nos efeitos entre os dois métodos de mensuração da atividade física podem ser resultado não apenas de imprecisões nas memórias dos participantes – ou do desejo de se apresentarem de forma positiva. Mas também do fato de que leituras objetivas captam outros aspectos além do exercício planejado – como caminhar até o trabalho, subir escadas, cortar grama, por exemplo – que os participantes podem não reconhecer como atividade física.

Proteção

“Em média fazer mais atividade física parece proteger contra o desenvolvimento da depressão”, comentou Choi em comunicado à imprensa. E qualquer atividade física, explica o pesquisador, parece ser melhor que nenhuma.

“Nossos cálculos aproximados sugerem que substituir um tempo sentado por 15 minutos de uma atividade de bombear o coração, como correr, por exemplo, ou fazer uma hora de atividade moderadamente vigorosa, é suficiente para produzir um aumento médio nos dados do acelerômetro que estava ligado a um menor risco de depressão”, complementou.

Ele explica, porém, que uma coisa é saber que a atividade física poderia ser benéfica para prevenir a depressão, outra é realmente fazer com que as pessoas se tornem mais ativas. O autor diz que mais estudos precisam ser feitos para descobrir quais são as melhores recomendações para os diferentes tipos de pessoas com diferentes perfis de risco à doença.

Fonte: UOL (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)
Edição: C.S.

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Está difícil decidir? Use a razão e a intuição, mas nunca o impulso

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE PRECISA SER ASSIMILADA É QUE TODOS NÓS SOMOS MUITO MENOS RACIONAIS DO QUE IMAGINAMOS.

Escolher uma profissão, mudar de emprego, casar-se ou não e escolher um sócio são apenas alguns exemplos de decisões que podem mudar a vida de alguém de forma definitiva. Nessas horas, há quem defenda a precisão científica, que envolve fazer pesquisa e analisar tudo nos mínimos detalhes. Outros acreditam no poder da intuição ou até do sexto sentido.

Para sorte de quem está num impasse, e principalmente para milhares de profissionais que precisam fazer escolhas importantes todos os dias, hoje existe um campo multidisciplinar de estudos dedicados a essa arte. Conheça algumas conclusões e veja se elas podem facilitar sua escolha:

Entenda como você funciona

A primeira lição que precisa ser assimilada é que todos nós somos muito menos racionais do que imaginamos, como bem ensina o psicólogo Daniel Kahneman, Nobel de Economia, no livro “Rápido e Devagar: duas formas de pensar”. O primeiro modo, que ele chama de “Sistema 1”, é o automático ou intuitivo, que surge em menos de um segundo. Quando você lê a frase “1 + 1 = 3”, você na hora percebe que a resposta está errada. “Tudo que repetimos por uma vida, se torna um caminho entre os neurônios que se fortalece, tornando-se um processo automático”, explica a psicóloga Ines Cozzo, consultora especialista em processos de neuroaprendizagem e neurobusiness.

Já se alguém perguntar quanto é 14 x 32, você terá que acessar o “Sistema 2”, que envolve um tempo maior, um cálculo ou análise aprofundada. Você já deve ter pensado rápido que usar o Sistema 2 é a única maneira de evitar erros numa decisão importante. Mas apesar de nos gabarmos do uso da razão, somos muito mais dominados pelo Sistema 1. Isso acontece por causa do viés: todos nós tendemos a pensar ou agir de determinada maneira, dependendo da nossa história, nossa criação e nossas experiências diárias.

Lista de prós e contras sempre
Fazer anotações sobre as vantagens e desvantagens de fazer uma mudança ou contratar determinada pessoa é uma forma de colocar a razão para funcionar. “O exercício da escrita exige que você elabore melhor o conteúdo mental e faça conexões entre as informações”, concorda a psicóloga clínica Nina Taboada, especialista em psicologia cognitivo-comportamental. Mas não esqueça de incluir o peso que cada item pode ter para você.

Não confunda “feeling” com impulso

A tal da intuição, ou “feeling”, até pode ter uma explicação sobrenatural para alguns, mas, segundo os psicólogos, ela nada mais é que um conjunto de pensamentos acessados de maneira inconsciente. É como um caminho não racional para o conhecimento que você acumulou ao longo das suas experiências de vida. “Mas é preciso diferenciar a intuição do comportamento impulsivo”, alerta Taboada. Como fazer isso? A psicóloga tem duas dicas: a primeira é que você precisa estar com a cabeça no momento presente, um estado que é chamado de atenção plena (ou “mindfulness”). Se você tomou a decisão só para se livrar daquilo logo, porque tinha vários outros problemas para resolver, é possível que tenha decidido por impulso. O segundo e principal conselho dela: “A intuição é serena”. É uma certeza que gera tranquilidade.

Ouça os outros e busque o diferente
A psicóloga social Emily Pronin, da Universidade de Princeton (EUA), em parceria com os colegas Daniel Lin e Lee Ross, cunhou o termo “viés de ponto cego” para se referir à dificuldade que todos temos de perceber quando somos tendenciosos, o que já foi verificado em diversos experimentos. De acordo com ela, apesar de não sermos sempre capazes de identificar essa característica em nós mesmos, somos rápidos para apontar um viés nos outros. Por isso, ouvir outras pessoas sempre é uma boa ideia. Mas é importante contar com vozes diferentes e levar em conta os olhares enviesados. […] Tome cuidado, no entanto, com o efeito manada, também chamado de “viés de convergência”. Kahneman ensina, em seu livro, que, em reuniões de trabalho, é comum as pessoas concordarem com o que a maioria diz. Por isso ele sugere que cada um escreva um breve resumo de sua posição num papel antes de cada discussão começar, para manter a diversidade das opiniões.

Post-mortem ou pro-mortem
Quando uma pessoa morre de causa desconhecida, o corpo vai para autópsia e o legista tenta descobrir qual foi a cascata de eventos que levou àquele fim. O psicólogo norte-americano Gary Klein, autor de vários livros sobre tomada de decisão, como “The Power of Intuition” (O Poder da Intuição), é conhecido por um método de avaliação de risco bastante utilizado em empresas chamado “post-mortem”. Ele propõe que, após decidir por um projeto ou uma ação, os envolvidos façam um exercício mental de visualização, como se estivessem diante de uma bola de cristal. Eles devem imaginar que estão vendo o futuro e a decisão deu errado. Então a equipe precisa investigar, como um legista, possíveis causas por trás da falha. O objetivo prever possíveis riscos que não foram levados em consideração antes, quando todos estavam empolgados com a ideia. Mais recentemente, o psicólogo escreveu um artigo sobre um possível complemento para o exercício: incluir uma “viagem ao futuro” para analisar as causas de um suposto sucesso do plano.

2 + 2 nem sempre será 4
Assim como a intuição não é garantia de um final feliz, usar muito a razão, ou seja, pensar e ter dados demais pode atrapalhar, ainda mais quem é perfeccionista. Por isso é bom ter sempre em mente que, na vida, nada é 100% seguro. “É importante procurar mudar a aprendizagem (uma cadeia neural), reforçada pelo modelo escolar, de que para um dado problema só existe uma opção correta, dentre quatro ou mais”, adverte Ines Cozzo. “O segredo do sucesso não está em desvendar o futuro; está em preparar-se para lidar com qualquer futuro, da melhor forma possível, a partir da decisão tomada”, pondera.

Fonte: UOL (Viva Bem)

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Conversar faz bem para a saúde?

A consequência do diálogo virtual vazio e sem o componente humano faz com que sentimentos como empatia, compaixão ou solidariedade fiquem mais difíceis de ser vividos e, por conseguinte, tornam-se menos intuídos ou aprendidos.

 

Uma cena corriqueira nos dias de hoje é encontrarmos pessoas juntas e ao mesmo tempo separadas, com os olhos fixos nos seus respectivos celulares. De tão comum, esta cena não chama mais a atenção de ninguém. Virou rotina nos restaurantes, bares e cafés. Resultado: há menos conversa presencial, “olhos no olhos”. Muitos podem argumentar que não veem nenhum problema nisto, posto que se o objetivo for conversar com outra pessoa, tanto faz se este diálogo acontecer na forma real ou virtual.

Mas não é tão simples assim, basicamente por duas razões principais:

– A primeira delas reside no fato de que conversar virtualmente, por meio de mensagens nas plataformas digitais, nos tira a oportunidade de ouro de reconhecer o outro pelas expressões corporais que, muitas e muitas vezes, espelham de uma maneira muito mais realística a verdadeira essência das ideias que aquela pessoa quer exprimir. Em outras palavras, a expressão facial não mente. Ao contrário, é capaz de revelar o verdadeiro conteúdo que, por qualquer razão, se deseja omitir. Quantas vezes já ouvimos algo do tipo: “esta roupa está linda em você” e entendemos que, no fundo, o interlocutor a considera um verdadeiro horror. Digitar “seu cabelo está maravilhoso”, seguido por um coração vermelho é muito diferente de encarar uma pessoa que está com o cabelo que você considera muito feio e dizer “seu cabelo está maravilhoso”, olhando-a nos olhos. A conversa presencial, portanto, nos torna capazes de aprender a intuir a essencial linguagem corporal dos sentimentos.

– A segunda razão baseia-se no fato de que conversar com alguém nas redes sociais, principalmente, ou no WhatsApp pode significar conversar com um personagem criado pela pessoa, e não com a pessoa real, cheia de defeitos e imperfeições. Alguém conhece alguém que, em seu perfil pessoal, não seja a pessoa mais maravilhosa, cercada dos melhores amigos, que come os pratos mais incríveis, que faz as viagens mais maravilhosas? É difícil encontrar, no mundo virtual, um humano com problemas reais com os quais nós todos nos identificamos.

A consequência deste diálogo virtual vazio e sem o componente humano faz com que sentimentos como empatia, compaixão ou solidariedade fiquem mais difíceis de ser vividos e, por conseguinte, tornam-se menos intuídos ou aprendidos.

O sentimento de solidão presencial pode ser uma das razões pelas quais algumas morbidades estejam crescentes nos dias de hoje. Não espanta, portanto, que o distúrbio de ansiedade atinja hoje, segundo estudos, mais ou menos 300 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, estima-se que haja 19 milhões de pessoas, de todas as idades, com distúrbio de ansiedade. As causas para a crescente ansiedade contemporânea são, sem dúvida, multifatoriais. Mas a sensação de solidão certamente compõe a gama de fatores desencadeantes.

Conversar presencialmente, portanto, faz bem para a saúde. Aprendemos a nos conhecer melhor com os outros, nos identificamos com seus problemas, exercitamos a capacidade de expressar nossos sentimentos de uma forma mais sincera e, principalmente, somos quase que “forçados” a ouvir pensamentos e ideias divergentes das nossas. Este aprendizado nos faz melhores pessoas quando entendemos que respeitar divergências pode engradecer o espírito.

A sabedoria popular nos diz que “quem canta seus males espanta”. Quem conversa certamente também consegue “espantar” muitos e muitos males.

Ana Escobar – Médica pediatra e professora na Faculdade de Medicina da USP
Fonte: G1

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