Anorexia pode acontecer com crianças

Anorexia infantil se manifesta no primeiro ano de vida até os 12 anos.

Anorexia é um transtorno alimentar no qual as pessoas desenvolvem um comportamento de tornar o seu peso abaixo dos níveis esperados, associando a uma percepção de que está muito gordo. É a partir da adolescência que se percebe essa definição. Já a anorexia infantil não teria a mesma definição, esta se manifesta no primeiro ano de vida até os 12 anos.

Nesse caso não deixa de se classificar como transtorno alimentar causado pela recusa de alimentos, e tende a se agravar quando os pais insistem que a criança coma.

Definimos a anorexia infantil em dois tipos: o primeiro, de forma rara, a criança apresenta-se com recusa e apavoramento diante da comida o que ocasiona um isolamento dessa criança com o meio. O segundo apresenta-se mais frequentemente na nossa cultura, chama-se anorexia de oposição, essa caracterizada como uma verdadeira guerra entre a mãe e a criança e tem como causa a insistência dos pais para que a criança coma, podendo ter como reflexo o vômito.

A insistência e a importância que os pais dão a finalização de uma refeição levam esses pais a desenvolverem métodos para alcançar o seu objetivo, tais como colocar a criança na frente da TV para distrair, deixar sentado na mesa de castigo só podendo levantar quando terminar, oferecendo uma colher para a criança e outra para a boneca, entre outros.

Com esses atos os pais acreditam estar favorecendo uma dinâmica saudável, e na verdade estão provocando na criança uma tortura na hora da alimentação. É importante colocar que crianças perdem o apetite muito fácil e por diversos fatores, como viroses, crescimento da dentição e até mesmo a introdução de novos alimentos na dieta. A cada método reinventado pelos pais ou cuidadores se reafirma um ciclo que vai se agravando a cada nova rejeição da refeição, transformando-se em um hábito.

A criança anoréxica de oposição é geralmente muito ágil, estando à frente de outras crianças no desenvolvimento motor. Os bebês muitas vezes apresentam-se agitados e nervosos.

É importante pontuar que anorexia infantil muitas vezes é passageira, os pais necessitam buscar orientação com um psicólogo e com o pediatra de acordo com a vivência do momento. Havendo um trauma o psicólogo conseguirá identificá-lo e trabalhá-lo.  É necessário deixar claro que a anorexia infantil tem solução e muitas vezes é resolvida com boa distração (passeios em seus lugares preferidos), mudança nos hábitos alimentares e uma maior disponibilidade de atenção por parte dos pais a criança, demonstrar interesse, conversar sobre o assunto, elogiar boa conduta, mas na maioria das vezes a criança quer sentir-se segura e amada esse é o primeiro passo para a cura.

Por Kislley Sá Urtiga
Psicóloga clínica e gestalt-terapeuta infantil
*Da equipe Cuidarte 

 

Saiba tudo sobre autismo e como tratar o transtorno

Em 2 de abril  aconteceu o dia mundial do autismo para conscientizar acerca do tema

 

O autismo caracteriza-se por um comportamento aparentemente alheio ao ambiente social, uma tendência a movimentos e vocalizações repetitivas, uma resistência variável, mas sempre presente, a mudanças na rotina e dificuldades típicas de aprendizagem de habilidades sociais e de autocuidados, cuja precocidade é impeditiva, causando um empobrecimento generalizado do repertório de conduta das pessoas afetadas pelo transtorno.

Esses problemas afetam praticamente todas as áreas do desenvolvimento e em diferentes intensidades.

Para compreender como se dá a intervenção comportamental, é necessário entender que princípios estão por trás da teoria. B.F. Skinner, um dos teóricos da Análise do Comportamento.

Ele defendia o estudo do comportamento com objetivos de prevenção e controle e propunha uma tecnologia do comportamento, assim com um planejamento cultural da sociedade.

Essas propostas coincidem com a influência da teoria darwiniana da seleção das espécies sobre a Análise do Comportamento. Partindo do pressuposto de que, assim como as espécies, os comportamentos e as culturas passam por processos de variação e seleção, cujos efeitos retroativos sobre os organismos e os grupos se mantêm na medida em que contribuem para sua sobrevivência.

É importante esclarecer que, para a Análise do Comportamento, o comportamento de uma pessoa é controlado por sua história genética e ambiental, sendo o próprio comportamento humano uma forma de controle. O controle sempre está presente, e é em grande parte social.

A ABA (Applied Behavior Analysis ou Análise do Comportamento Aplicada), como o próprio nome diz, é a aplicação da Análise do Comportamento ao estudo e à intervenção de comportamentos socialmente relevantes e em ambiente natural.

Ela utiliza-se de métodos baseados em princípios científicos do comportamento para construir repertórios socialmente relevantes e reduzir repertórios problemáticos.

Os pressupostos básicos são os comportamentos observados  passíveis de serem modificados, e a emissão de comportamentos considerados inadequados não são vista como sintoma de uma doença; todo comportamento possui uma função (causa); a emissão de comportamentos pode produzir diversas consequências, e baseado na análise funcional, podemos investigar o que mantém tal comportamento.

Dentro da perspectiva da Análise do Comportamento pode-se afirma que as pessoas com autismo apresentam dificuldade em responder a estímulos discriminativos sociais, ou seja, relativos aos comportamentos de outras pessoas. Muitos reagem a estímulos incondicionados em magnitude e latência diferentes da média das outras pessoas

A ABA se baseia em quatro passos: “1) avaliação inicial, 2) definição dos objetivos a serem alcançados, 3) elaboração de programas (procedimentos) e 4) avaliação do progresso”.

As avaliações iniciais estabelecem uma linha de base dos comportamentos do paciente, através de sua observação, da investigação periódica dos possíveis reforçadores. A partir daí são estabelecidos os objetivos, e o planejamento das tarefas é feito.

Um dos objetivos dessa abordagem é identificar as relações funcionais entre comportamentos problemáticos e eventos ambientais específicos e propor alternativas para se conseguir a mesma consequência com um comportamento diferente.

O analista do comportamento também prepara o ambiente para que novas habilidades possam ser aprendidas, não sem antes identificar as habilidades do paciente e as que precisa aprender.

Habilidades básicas tais como contato visual, sentar independente, seguir instruções simples e imitação motora devem ser ensinadas, se necessário, antes de se introduzir habilidades descritas em um currículo mais intermediário, tais como reconhecimento de objetos, nomeação, reconhecimento de números, atividades da vida diária (por exemplo: escovar os dentes ou lavar as mãos) e, finalmente, as habilidades pertinentes a um currículo mais avançado, tais como gramática, conceitos matemáticos, emoções.

É importante ressaltar que as intervenções se dão através de reforçamento positivo. O processo é lento, dividido em pequenos passos e constantemente avaliado, verificando-se a eficácia ou não do programa.

 

Flávia Barros
Psicóloga Comportamental
*Da equipe Cuidarte

 

 

Abordagens são caminhos distintos que levam ao mesmo lugar

 

Saiba mais sobre as abordagens da psicologia e como funcionam.

Quando a gente quer chegar a um determinado lugar pensamos qual o melhor caminho para atingir nosso objetivo. Ponderamos, por exemplo, qual o percurso é mais curto. Podemos também considerar qual tem menos sinal de trânsito e assim, apesar de ser mais longo, possibilitará andar com mais rapidez Independente de escolher um ou outro, no final chegaremos ao mesmo lugar.

Em se falando de psicologia, melhor, nas abordagens psicológicas podemos fazer uma comparação com o relatado acima, no sentido de que podemos escolher uma das abordagens (caminhos) na hora de ser atendido (a) por um psicólogo e, independente de qual, alcançaremos nosso objetivo (autoconhecimento, acolhimento, alívio do sofrimento subjetivo).

Ao optar por uma ou outra abordagem psicológica, o que vai mudar na prática é o caminho escolhido para chegar ao objetivo. Em linhas gerais, o que difere uma abordagem da outra é a base teórica que a sustenta, bem como as técnicas usadas pelo profissional de psicologia para atender seu cliente/paciente.

Entre as abordagens mais conhecidas podemos citar a Psicanálise, a Humanista, a Comportamental e a Cognitivo-Comportamental.

De modo simples, a primeira trabalha com o inconsciente e com conceitos como id, ego, superego, pulsões, transferências e contra transferências. O método básico da psicanálise é o manejo da transferência e da resistência em análise.

Já a abordagem Humanista abarca conceitos apropriados da filosofia, tais como existencialismo e fenomenologia. E está mais centrada em acolher o sujeito em sua singularidade, importando-se menos com o sintoma (o que/transtorno/doença) e mais com o que o provoca (o como), o modo de o sujeito funcionar no mundo. Acredita nas potencialidades do ser humano e na sua capacidade de autorregulação.

A abordagem Comportamental ou Análise do comportamento, por outro lado, trabalha em termos de comportamentos, seus antecedentes e consequentes. Acredita que a pessoa  se comporta pela consequência de comportamentos anteriores. É uma abordagem de cunho educativo.

Como a anterior, a abordagem Cognitivo-Comportamental (TCC) é educativa, toma como base o arcabouço teórico daquela. Assim como a Análise do Comportamento, a TCC é mais diretiva, tendo como foco não só o comportamento, mas o pensamento.

Para a TCC o pensamento modifica o comportamento, já para a Análise do Comportamento o pensamento é uma classe de comportamento.

Após ter claras as diferenças entre as abordagens psicológicas, é escolher a que mais se adéqua às suas necessidades e desejos. Por fim, é importante destacar que a empatia com o profissional que vai lhe acompanhar é outro ponto a ser considerado.

Adriana Lemos
Psicóloga e Jornalista
*Da equipe Cuidarte

Psicólogo ajuda paciente a enfrentar hospitalização

No contexto hospitalar,  esse profissional auxilia no manejo multidisciplinar.

Sabe-se que o processo de hospitalização altera a dinâmica da pessoa que o vivencia e interfere diretamente na saúde mental dessa pessoa, comprometendo a qualidade de vida e as respostas do sujeito ao tratamento administrado.

Quando o paciente procura o hospital, constata-se que a experiência de adoecimento assume várias conotações e constitui elemento importante a ser considerado no âmbito da assistência multidisciplinar, pois dada a sua variedade, envolve diferentes tipos de abordagens – seja nos aspectos biológico, psíquico (mental), social ou espiritual.

A abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental vem sendo também utilizada no contexto hospitalar ao auxiliar os indivíduos hospitalizados a terem um manejo mais adequado do quadro vivenciado, tendo em vista que ansiedade, depressão, hostilidade, hipocondria, estratégias passivas de enfrentamento e crenças frequentemente infundadas fazem parte do momento vivenciado pela grande maioria desses pacientes.

O significado pessoal e subjetivo que a enfermidade desperta no ser humano lhe possibilita reagir de formas diferentes ao adoecer. Desse modo, o suporte exclusivamente pautado no modelo biomédico passou a ser questionado, visto a necessidade de se valorizar os aspectos psicológicos e sociais; fato que aponta a relação destes com a saúde e a doença e representa o modelo biopsicossocial.

Tendo em vista, que esse modelo de terapia é de intervenção breve, semi-estruturada e orientada para metas, esta tem sido utilizada nos centros de pesquisa e tratamento de transtornos decorridos da hospitalização. Vários estudiosos da área avaliaram sua eficácia e relataram que um procedimento psicoterápico eficiente deve considerar o desenvolvimento de estratégias que produzam compreensão e modificação dos processos físicos e psicológicos do adoecimento, promovendo o conhecimento sobre a capacidade existente para lidar com essa situação.

Assim sendo, a atuação em Psicologia com abordagem na terapia cognitivo-comportamental junto ao paciente no contexto hospitalar, à medida que identifica e compreende fatores emocionais associados à experiência de adoecimento, resgata junto a ele estratégias de posicionamento ativo no tratamento. E neste contexto, busca trabalhar não somente conteúdos psíquicos subjacentes às limitações e incapacidades, mas, também, o que é saudável e possível de ser empreendido pelo paciente no transcurso de tal processo.

Carla Keline Marinheiro
Psicóloga Cognitivo-comportamental
*Da equipe Cuidarte