A pressão pela perfeição e o medo que escondemos

Às vezes, a pressão para sermos “perfeitos” não nasce da paixão ou de padrões saudáveis. Muitas vezes, ela brota da sensação incômoda de que não somos bons o suficiente. Trabalhamos horas extras na nossa aparência, nas nossas conquistas e na nossa imagem, tentando — no fundo — evitar o fracasso, a rejeição e as críticas.

E quando nos sentimos assim, é fácil transferir essa pressão para fora, julgando os outros com os mesmos padrões impossíveis que impomos a nós mesmos.

Com frequência, é mais fácil apontar o que está errado nos outros do que encarar aquilo que dói dentro de nós. Criticar se torna um escudo. Culpar, uma distração das nossas próprias inseguranças. Por isso, se você está comprometido com o crescimento pessoal, toda vez que sentir a tentação de criticar alguém, faça uma pausa e pergunte a si mesmo: “O que isso está me mostrando sobre mim?”

Olhar para dentro exige coragem — e a maioria das pessoas prefere fugir. Quando alguém zomba ou menospreza você, quase sempre não é sobre você. É sobre a tentativa desesperada da outra pessoa de se sentir melhor consigo mesma, diminuindo quem está ao seu redor. Muitas vezes, as pessoas atacam aquilo que não entendem, que desafia suas crenças ou que ameaça a identidade que elas construíram para se proteger. No fundo, o medo impulsiona grande parte desse comportamento.

A verdade é que muitos que aparentam excesso de confiança estão, na realidade, tentando esconder o medo de serem rejeitados. A postura egocêntrica, muitas vezes, é só uma armadura.
Quem não se dedica a se curar, crescer e se amar acaba, cedo ou tarde, machucando os outros — mesmo sem querer.

Se nos medirmos por padrões humanos, a perfeição simplesmente não existe. Nem para mim, nem para você, nem para ninguém.

Tentar agradar a todos — tentando corresponder a expectativas que, no fundo, são projeções de medos e instintos de sobrevivência — só nos afasta de quem realmente somos. Por isso, mantenha-se próximo do seu coração.
Quando suas intenções são puras, você não precisa provar nada para ninguém: suas ações falarão por você.

E se der certo?

Todos nós já estivemos ali: parados à beira de algo novo, com o coração acelerado, tomados por uma mistura de entusiasmo e medo. Talvez seja uma nova proposta de trabalho capaz de mudar sua trajetória, a chance de amar de novo após uma dor profunda, ou aquela oportunidade de finalmente tirar do papel o negócio com que você sempre sonhou.

Nesse momento, a mente corre para os riscos, para tudo o que pode dar errado. Mas e se você também olhasse para tudo o que pode dar certo?

Imagine encarar um novo relacionamento focando na possibilidade de alegria e conexão, em vez do medo da decepção. Visualize sua ideia ganhando força, impactando vidas — começando pela sua. Imagine o que acontece quando você dá à esperança o mesmo espaço que tantas vezes oferece ao medo.

Isso não é sobre negar os desafios ou fingir otimismo vazio. É sobre equilíbrio. É sobre reconhecer que sim, há riscos, mas também há potencial para descobertas, crescimento e realizações surpreendentes. A vida nunca vem com garantias — mas vem com possibilidades. E isso é mais do que suficiente para tentar.

Da próxima vez que a incerteza bater à porta, respire fundo. Sinta o frio na barriga, mas também o formigamento da empolgação. Encare o desconhecido com curiosidade e pergunte a si mesmo: “E se algo incrível estiver prestes a acontecer?”

Porque toda história de transformação começa assim: com alguém que escolheu abraçar a possibilidade em vez do medo. Por que não permitir que essa pessoa seja você?

É fácil deixar que o passado lance sombras sobre o que está por vir. Um relacionamento que não deu certo nos faz hesitar em confiar de novo. Um trabalho frustrante nos faz duvidar do nosso potencial. Um projeto falho sussurra que talvez não sejamos bons o suficiente. Mas o passado é só isso: passado. Um capítulo, não o livro inteiro.

E se, ao invés de ver a incerteza como uma ameaça, você a visse como um campo aberto, pronto para ser explorado? E se começasse a enxergar a vida com mais coragem, mais curiosidade, mais fé de que coisas belas podem — e vão — surgir a qualquer momento?

O valor da autoconsciência: além da positividade forçada

Práticas como posturas de poder e afirmações positivas podem, sim, modificar gradualmente seu estado emocional e sua fisiologia. O corpo responde à mente, e o ambiente interno molda a forma como interagimos com o mundo. Contudo, é fundamental reconhecer as nuances desse processo.

Ninguém é positivo o tempo inteiro e tudo bem. Reprimir ou rejeitar nosso lado sombrio não nos torna mais fortes, apenas nos afasta de quem realmente somos. Essa negação cria uma dissonância emocional conhecida como desvio espiritual quando usamos a espiritualidade ou o autoconhecimento para evitar dores, em vez de enfrentá-las. Muitas vezes, o que fazemos para proteger o ego impede o verdadeiro crescimento da alma.

Manter uma fachada de positividade implica negar a realidade. E essa resistência, por sua vez, tende a gerar repetições de experiências dolorosas, que acabam por provocar os mesmos sentimentos que tentamos esconder.

A verdade é que sentimentos desagradáveis não devem ser evitados, mas sim acolhidos. O caminho mais sincero para ajustar sua trajetória emocional e mental é:

• permanecer aberto,
• ser honesto consigo mesmo,
• e observar seus sentimentos sem julgamentos.

 

Não se trata de acelerar um processo interno com slogans motivacionais, mas de ajustar sua frequência emocional num ritmo que respeite seus limites.

Por exemplo, afirmações positivas só funcionam quando soam verdadeiras. Dizer “sou um milionário” enquanto você mal consegue pagar uma conta pode gerar frustração e descrença. Em contrapartida, dizer “estou me aproximando dos meus objetivos financeiros” ou “tenho tomado decisões que constroem um futuro próspero” é mais crível e fortalece a confiança.

O universo ou, se preferir, a vida responde à sua vibração dominante. Essa vibração não é o que você diz na frente do espelho, mas o que você carrega dentro de si: suas crenças, emoções, percepções e histórias acumuladas ao longo da vida. Ela reflete tanto seu grau de cura quanto suas feridas, suas crenças limitantes ou expansivas, e o equilíbrio entre pensamentos conscientes e inconscientes.

A verdadeira mudança de vibração ocorre quando tornamos conscientes esses aspectos ocultos e, com intenção, coragem e gentileza, reformulamos nossas crenças para que nos fortaleçam. Isso é cura. Isso é despertar.

Não se trata de manter uma felicidade artificial ou uma positividade forçada. Trata-se de um processo gradual de cura e expansão da alma. E, nesse caminho, sentir é essencial.

Confie no processo. Confie em você. Apoie-se nos seus sentimentos verdadeiros com a certeza de que é possível ajustar sua vibração emocional de forma autêntica e é isso que gera transformação.

No fim das contas, a autoconsciência e a cura interior têm mais valor do que qualquer aparência de positividade.

Escolher a si mesmo não é egoísmo — é autenticidade

Você já se pegou fazendo tudo por todos, mas deixando suas próprias necessidades para depois? Se sim, saiba que isso é mais comum do que parece. Movidos por boas intenções, muitas vezes ultrapassamos nossos próprios limites sem perceber — e acabamos exaustos, vazios, desconectados de nós mesmos.

É essencial lembrar que sua energia é um recurso limitado. Diariamente e ao longo da vida, você tem uma reserva finita para investir. Por isso, é tão importante que ela seja direcionada a ações coerentes com quem você é, decisões alinhadas aos seus valores e experiências que nutram sua verdade interior.

As pessoas que realmente o amam e se preocupam com você não vão exigir que você se anule. Elas não pedirão que você se coloque em segundo plano. Elas entenderão que se priorizar é um sinal de maturidade e equilíbrio — não de egoísmo.

Respeitar suas próprias necessidades traz recompensas profundas. Quando você estabelece limites saudáveis e aprende a dizer “não” sem culpa, abre espaço para novas oportunidades. A vida começa a refletir autenticidade. A energia que você oferece aos outros passa a vir de um lugar de inteireza — e não de sobrecarga. Seu trabalho, suas relações e até os momentos de descanso tornam-se fontes de realização e gratidão.

E o universo responde. Há algo harmonioso em viver em sintonia com o que é verdadeiro. Conexões se aprofundam. Relacionamentos se tornam mais genuínos. Porque quando você se cuida, você se apresenta ao mundo com mais presença, mais amor, mais inteireza.

Fomos ensinados a cuidar dos outros, a sermos generosos, a praticar o bem. Mas raramente nos disseram que esses mesmos gestos devem ser aplicados, primeiro, a nós mesmos. O resultado? Um exército de pessoas esgotadas, tentando dar o que não têm.

Quando você oferece energia sem tê-la, acaba colhendo frustração, raiva, ressentimento. E mesmo os relacionamentos mais promissores podem ser afetados. Afinal, não se pode alimentar ninguém com um copo vazio.

Alguns podem interpretar sua escolha por si mesmo como egoísmo. Mas, na verdade, priorizar-se é um compromisso com sua saúde, seu bem-estar e sua integridade emocional. Só conseguimos cuidar verdadeiramente do outro quando já cuidamos de nós.

Vivemos em uma cultura que romantiza o sacrifício como sinal de amor. Mas esse modelo, ao invés de libertador, é exaustivo. Ele não conduz à realização, tampouco ao bem coletivo. Amor verdadeiro não exige anulação — ele floresce no equilíbrio.

Lembre-se de algum momento em que você disse com convicção: “Desta vez, vou fazer o que eu quero.” Provavelmente, sentiu-se vivo, empoderado. Escolher a si mesmo pode significar dizer “não”, perseguir sonhos ousados e parar de viver apenas para agradar. Isso é liberdade. Isso é autenticidade.

Portanto, guarde esta verdade: sua energia é valiosa e limitada. Use-a com sabedoria. Alinhe sua vida à sua essência. E não se desculpe por isso. Quem realmente importa vai entender — e permanecer.

As pessoas mudam — e você precisa saber lidar com isso

Em algum momento da vida, todos somos forçados a encarar duas verdades desconfortáveis: as pessoas mudam e responsabilizar é essencial se você deseja manter alguém ativo na sua caminhada.

Você não é a mesma pessoa que era há poucos meses. Muito menos há cinco anos. Nesse tempo, suas ideias amadureceram, suas prioridades mudaram, seus hábitos se transformaram.

Às vezes, até seu corpo, seus gostos e seu jeito de amar se reinventaram. A vida é um fluxo constante, e cada interação seja com o mundo exterior ou com os seus próprios pensamentos gera reações que moldam quem você se torna.

No entanto, é importante reconhecer: nem todos mudam no ritmo que gostaríamos, tampouco da maneira que esperamos. Há quem use a ideia de mudança como justificativa para manter comportamentos destrutivos. Frases como “Pare de usar meu passado contra mim” podem soar como pedidos de empatia, mas muitas vezes escondem um desejo de escapar da responsabilidade, especialmente quando os mesmos erros continuam se repetindo.

E aqui mora um dos maiores perigos: confundir empatia com permissividade.

Você não precisa manter ninguém por perto só porque um dia houve afeto. Relacionamentos verdadeiros exigem presença real, evolução e compromisso mútuo. Se alguém insiste em julgá-lo por quem você foi e não reconhece quem você está tentando se tornar, talvez essa pessoa esteja mais presa ao seu passado do que você mesmo. E isso cansa. Drena. Paralisa.

O passado tem seu valor. Ele explica dores, revela padrões e ensina lições. Mas se apegar a ele é como tentar caminhar com os pés amarrados: você até consegue se mover, mas se machuca a cada passo. Se você quer que alguém permaneça em sua vida apesar dos erros, aceite sua história. Mas cobre evolução.

Responsabilizar não é castigar. É estabelecer limites saudáveis para que a relação floresça no presente e não afunde naquilo que já foi.

E se a pessoa se recusar a mudar? Se continuar alimentando ciclos tóxicos, ignorando a necessidade de reconstrução? Então, por amor a si mesmo, siga em frente. Deixar alguém para trás também pode ser um ato de amor, só que dessa vez, por você.

Janeiro Branco destaca bem-estar e lazer na promoção da saúde mental

Cuidar da saúde mental se mostrou uma prioridade em todo o mundo e a tendência, segundo os especialistas, é que o foco no bem-estar, na gestão inteligente do tempo e na recuperação do lazer sejam metas para 2022. Em sintonia com o momento atual, a campanha Janeiro Branco do Medplan traz como mote “Quem cuida da mente, curte a vida.”

A motivação da campanha acontece porque a pandemia provocou um aumento global nos distúrbios mentais, com destaque para ansiedade e depressão. De acordo com estudo da revista científica The Lancet, esse crescimento foi de 25% em 2020. E segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 18 milhões de brasileiros são afetados pelos transtornos de ansiedade.

Outra preocupação recente é o aumento da síndrome de esgotamento profissional, conhecida como Síndrome de Burnout. Associada ao desgaste físico e mental, e ao estresse crônico no trabalho, a síndrome passará a ser reconhecida pela OMS como doença ocupacional em 2022.

Diante desse quadro, algumas práticas são importantes para evitar o desenvolvimento de distúrbios mentais e também podem ajudar no tratamento, dentre elas:

– Expressar as emoções, seja em forma de desabafo ou compartilhando experiências, frustrações e tristezas. O objetivo é não ficar refém dos pensamentos repetitivos e negativos.

– Reavaliar as prioridades ajuda a manter a mente em um ritmo saudável. Não tente fazer tudo, eleja o que realmente é necessário.

– Seu corpo fala com você, ouvi-lo é fundamental para saber quando descansar.

– Faça uma lista com o que lhe faz bem e reserve um tempo para se divertir.

– Pratique atividade física, ela ajuda a regular o humor.

– Peça ajuda às pessoas próximas quando perceber que não consegue administrar seus problemas sozinho.

– Caso o mal-estar esteja comprometendo a sua vida e tirando a sua alegria, consulte um especialista, seja psicólogo ou psiquiatra.
 

É importante sentir medo, mas em excesso paralisa; saiba como equilibrar

Ao longo da vida, todos nós sentimos medo. Ele aparece tanto em momentos específicos, como ao andar em uma montanha-russa, ou permanece a vida toda, como um medo de altura, de falar em público ou de baratas. Cada pessoa tem medos próprios, que fazem parte de quem ela é e têm muitas origens e explicações possíveis.

Além dos medos particulares, há também os medos “comuns”, de que todos partilhamos: medo de morrer, de ficar doente, de tempestades ou furacões. Estes são medos ligados à natureza humana, que direcionam o ser humano rumo à sobrevivência. Esta, aliás, é a principal função do medo: fazer com que a pessoa aja e consiga escapar com vida de situações arriscadas.

Mas nem sempre é possível dominar o medo. Para muitas pessoas, ele é paralisante e se sobrepõe a qualquer tentativa de racionalização da situação. E é justamente quando o medo começa a atrapalhar o cotidiano que ele vira um problema maior. A boa notícia é que até medos paralisantes podem ser ressignificados.

É importante sentir medo

O medo é uma reação a algum estímulo ameaçador, que pode ser real ou imaginado. O cérebro reage colocando o organismo em estado de alerta, o que provoca alterações por todo o corpo: aceleração dos batimentos cardíacos, desconforto intestinal, insônia e sono agitado.

Ele é algo natural e protetor e faz com que nos previnamos de situações arriscadas. Sem o medo, atravessaríamos sem olhar para os lados, andaríamos em ruas escuras sozinhos, passearíamos no parapeito dos prédios, não cuidaríamos da saúde. É claro que não é possível controlar tudo ou viver em um ambiente totalmente seguro. O que importa é identificar o tipo de medo e conseguir transformar o estado de medo em prudência e cautela.

Manifestações

Ele pode se manifestar de diversas formas, como ansiedade ou algo mais sutil, como quando uma pessoa rejeita um interesse amoroso pelo medo de sofrer ou de a relação não dar certo.

Veja alguns tipos:

  • O medo racional é pautado em algo possível e o irracional, em algo que não tem sentido, mas mesmo assim se faz presente;
  • O medo emocional é caracterizado por temores que podem causar prejuízos emocionais, como medo de fracassar ou de ser rejeitado;
  • O medo instintivo faz parte da nossa “programação”. Temos uma série de medos primitivos, como medo de ser comido por um bicho, medo do escuro, medo das tempestades, dos movimentos da natureza. Estes medos existem desde que o homo sapiens existe na Terra. São medos naturais, que nós também vemos nos animais. Eles estão associados à preservação da espécie e da sobrevivência;
  • Com o desenvolvimento do homem, sua capacidade de pensar e refletir, ele passa a ter medos que nem sempre estão ali presentes, como o medo do futuro e a ansiedade. Eles nem sempre são reais, podem ser de coisas imaginadas ou subjetivas.

Quando o medo é ruim

Os medos podem ser genéticos, aprendidos na infância, pela educação ou copiando o modelo de comportamento dos pais. A origem depende de como cada um se relaciona consigo mesmo, por isso a ajuda de um psicólogo na busca pelo autoconhecimento pode possibilitar reconhecer os medos e a forma como eles se manifestam nas nossas vidas.

Isso é importante quando o medo vira algo prejudicial. Se ele é excessivo, pode virar uma fobia e atrapalhar o dia a dia da pessoa. Além de não conseguir reagir às situações que a assustam, ela passa a evitá-las, e pode perder oportunidades ou deixar de viver momentos prazerosos devido a um medo pontual.

Pode acontecer também de o indivíduo nem saber a origem daquele medo —conhecido como medo irracional. São situações que nem a própria pessoa consegue explicar. Racionalmente ela entende que está tendo uma reação exagerada, mas não consegue agir de maneira diferente. Casos assim podem gerar pavor, pânico e paralisação ou até reações físicas como mal-estar, vômitos e desmaios.

Como não deixar que o medo nos paralise?

Sentir medo não é uma doença, e ficar paralisado não é uma questão de escolha. É preciso descobrir estratégias para lidar com ele e não deixar de agir.

O auxílio pode vir em vários formatos: atividade física, meditação, técnicas de respiração, tratamentos e medicamentos. Buscando fortalecimento emocional e autoconhecimento, é possível entender as causas, fazer a regulação cognitiva das emoções e modificar comportamentos.

Dentro da terapia cognitivo-comportamental, por exemplo, são utilizadas diversas técnicas com o intuito de auxiliar quem sofre prejuízos na vida por conta dos medos. O profissional e o paciente, juntos, investigam as causas para ressignificar crenças e esquemas disfuncionais.

A dessensibilização sistemática, uma das técnicas mais comuns em tratamento de fobias, consiste em expor o paciente ao fator do medo de maneira progressiva. Através da repetição, cria-se uma situação de hábito com aquilo, e o medo fica menor.

Em muitos casos, o medo de determinadas coisas ou situações nunca desaparece por completo, mas a pessoa consegue encontrar jeitos de criar uma relação mais ajustada com aquilo.

Existem pessoas mais medrosas e outras mais corajosas?
Existem pessoas que tendem a olhar para as coisas do lado mais difícil e perigoso. Elas vivem com a sensação de uma ameaça permanente e são temerosas de tudo, até mesmo de hipóteses (como não querer ir ao médico por medo do que possa aparecer no diagnóstico).

Pessoas medrosas se arriscam menos, e por isso acabam perdendo oportunidades importantes. Isso não quer dizer que ela é fraca, e sim que está reagindo à própria história de vida.

Pessoas mais corajosas costumam ser mais seguras de si, com uma autoestima melhor e coragem de se arriscar. Na maioria das vezes, tiveram uma criação com apego seguro, desenvolvendo ligações afetivas importantes com os pais ou cuidadores e cresceram acreditando em si mesmas e se valorizando. A coragem depende da segurança que a pessoa tem nela mesma, na sua capacidade de resolução de problemas e de sua autoconfiança.

Uma pessoa pode não ter medo de pular de paraquedas, mas ter medo de barata. Os medos não são lineares. Ninguém é totalmente corajoso nem totalmente medroso.

Fontes: Marina Vasconcellos, psicóloga pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), especialista em psicodrama terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae, psicodramatista didata pela Febrap (Federação Brasileira de Psicodrama) e terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo); Blenda de Oliveira, psicóloga clínica formada pela PUC-SP, psicanalista pela SBPSP (Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo); Cris Gebara, psicóloga e terapeuta cognitivo-comportamental, mestre em ciências pela USP (Universidade de São Paulo), docente do curso de especialização em TCC em saúde e pesquisadora pelo Programa Ansiedade do IPq HCFMUSP (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP); Thais Rueda, psicóloga pela Universidade Veiga de Almeida, psicóloga do esporte e do exercício pelo CEPPE (Consultoria, Estudo e Pesquisa da Psicologia do Esporte) e pós-graduada pelo CPAF-RJ (Centro de Psicologia Aplicada e Formação em Terapia Cognitiva Comportamental).

Fonte: UOL

As faces da vergonha

*Por Sérgio Batista, psicólogo da Cuidarte | CRP 21/01373

Conviver com a vergonha é um fardo pesado demais. Eu sei. Essa, inclusive, foi uma das dificuldades que me empurrou para o curso de Psicologia e para a busca do autoconhecimento.

Lembro que minhas orelhas eram frequentemente o lugar em meu corpo onde a vergonha se cristalizava. Toda a minha cabeça ficava quente e parecia um vulcão quando imaginava as pessoas rindo do meu fracasso ou me humilhando por ser pobre de recursos.

“E se souberem que fui menino de rua”?/E se souberem que volto a pés para casa e não posso pagar o ônibus”?/”Não, ninguém pode saber que tenho dificuldades para me alimentar, que não tenho roupas para sair, que sou adotado, enfim, ninguém pode saber de minhas dores, se não vão me humilhar”.

Não dá pra fingir que a gravidade não existe, não é mesmo? Com as lições da vida adulta, psicoterapia e autoconhecimento, o pensamento doloroso e mágico foi sendo lapidado pelo diálogo franco, pela autoafirmação e pela DES-VITIMIZACAO (por que não?).

Anos depois de formado, com consciência ampliada e olhar mais centrado e menos julgador, resolvi aprofundar a auto investigação desse sentimento em mim. E a luz se acendeu: “O problema e soluça, o sofrimento e leveza estão dentro e não fora de mim”. O primeiro a me atacar era eu mesmo. O primeiro a julgar era o meu julgador interno.

Foi um mergulho 2 anos de estudo de grupos e terapia pessoal!
Pronto! Minha gestalt se fechava ali. No fundo a vergonha estava me dizendo: ” mostre-se ao mundo  como você é”. E resolvi pagar o preço.

Compreenda uma coisa muito importante sobre a vergonha. Ela é um sentimento de base moral que quase sempre reflete algo que diz respeito ao medo da rejeição e ao senso de inadequação baseado na maneira como os outros vão nos ver. A compreensão da vergonha nos revela duas facetas: 1) É uma defesa contra o medo da rejeição e da exclusão que nos traz sofrimento na medida em que necessitaremos de uma grande quantidade de energia mobilizada e gasta para manter em segredo o que não permitimos mostrar, e que consideramos inadequado (seja fracasso, fraquezas, falhas, atitudes, hábitos, padrões de funcionamento, aspectos de nossa sexualidade etc).

Por essa razão, a vergonha pode ser considerada uma FORMA DE DEFESA primitiva e pouca eficiente, porque, se observada com compaixão e consciência, ela é um disfarce infantil para não assumirmos quem nós somos. E considero infantil (do ponto de vista de mecanismos psíquico que moldam nossos padrões de funcionamento e dos estudos sistêmico das interações humanas) pois se trata de crenças, partes de nós, de nossa história, experiências que registramos como algo errado ou inadequado vindo de nosso sistema familiar e social e que introjetamos. E como esse mecanismo de defesa infantil nos impacta e pode nos trazer sofrimento? Veja bem: quanto mais excluímos as coisas pelas quais nos envergonhamos, mais paralisada fica a nossa energia de vida, nosso corpo, nossas emoções e ações dirigidas á vida plena, nossa leveza e autenticidade. A nossa conexão fica comprometida. Se não há conexão(essencial para haver trocas, enriquecimento, crescimento e aperfeiçoamento de habilidades, capacidades e virtudes) como posso me desenvolver como pessoa? Se a partilha com o mundo e as pessoas é ausente como posso construir potência, felicidade e exercitar a criatividade coletiva?

Ao mesmo tempo a vergonha se apresenta como uma  ( segunda faceta) MENSAGEM/MENSAGEIRA  do que há de mais profundo em nossa essência: nossa espontaneidade, nossa autenticidade e autoafirmação.  E a mensagem, o que a vergonha está nos dizendo é: “ASSUMA O QUE VOCÊ É”.

A vergonha é, dentro dessa segunda perspectiva, um pedido de autoafirmação, ainda que envolva incômodos e até mesmo sofrimentos. É como se fosse um letreiro ou outdoor de nossa alma onde está escrito: mostre-se como você é. E acredite: a liberdade de reconhecer e validar quem nós somos é liberta-DOR.

Saiba que existem caminhos e possibilidades de mudanças e girar a chave e transmutar o impacto da vergonha em nossa vida. O primeiro passo que sugiro é investir em seu autoconhecimento. O autoconhecimento pode te dar o poder de bancar quem você é. Busque cursos de desenvolvimento pessoal, psicoterapia, explorar outras culturas e convivência com o novo e diferente. Segundo: Dê voz a sua vergonha. Ouça o que sua vergonha tem pra te dizer e permita que ela se expresse. Se falarmos abertamente sobre ela, ela começa a murchar, perder força e aos poucos vai se desmanchando. Então, fale, fale e fale. Falar sobre a sua vergonha pode colocá-la de joelhos sobre os seus pés. Assim como não há como negar o peso da gravidade, também não há como deixar de pagar o preço quando se atreve a bancar quem se é. Então “OCUPE O SEU LUGAR NO MUNDO E PAGUE O PREÇO”.

Para auxiliar em seu desenvolvimento pessoal:
• Em que pontos de minha vida eu sinto a presença da vergonha?
• O que a vergonha provoca em mim?
• Se ela pudesse se expressar, o que me pediria?

Simone Biles mostra que saúde mental é desafio até para os super-humanos

A pressão sobre atletas passou do limite ou a saúde mental deixou de ser um tabu?

Uma das principais ginastas da atualidade, a americana Simone Biles desistiu de disputar a final individual de ginástica artística, na manhã desta quarta-feira. A ginasta de 24 anos era favorita ao ouro, mas saiu da disputa alegando a necessidade de preservar a saúde mental.

Ontem, Biles já havia saído da competição por equipes após um salto ruim ter feito a ginasta declarar publicamente estar se sentindo pressionada demais para seguir a competição. “Sempre que você entra em uma situação de alto estresse, você meio que enlouquece”, disse ela, segundo reportagem da rede americana CNN.

“Tenho que me concentrar na minha saúde mental e não colocar em risco minha saúde e bem-estar. Temos que proteger nosso corpo e nossa mente. É uma merda quando você está lutando com sua própria cabeça.”

A tensão vivida por Biles está longe de ser uma novidade entre atletas, um ofício com uma boa dose de cobrança sobre o desempenho assim como é comum em outras profissões — e, por isso, a história de Biles serve, de alguma forma, de exemplo para além das quadras.

Um estudo feito ao longo de cinco anos com atletas universitários da National Collegiate Athletic Association, uma organização com mais de 400.000 universitários esportistas nos Estados Unidos, mostrou uma prevalência de sintomas depressivos em 23% dos associados. Em 6% deles, os sintomas foram considerados de moderados a graves, uma prevalência bastante acima do padrão na população em geral.

Em função disso, cada vez mais casos de atletas falando publicamente de problemas de saúde mental têm vindo à tona. Em maio, a super atleta do tênis Naomi Osaka impôs seu limite: ela não daria entrevistas coletivas para a imprensa durante o campeonato do Roland Garros para aliviar a ansiedade.

Em suas redes sociais, ela escreveu: “Eu sinto com frequência que as pessoas não se atentam para a saúde mental de atletas e isso é evidente quando vejo uma coletiva ou participo de uma”. Para a japonesa de 23 anos, não há motivo para realizar entrevistas em momentos tão cruciais de um campeonato e prejudicam a confiança dos participantes.

A situação de Biles e de Osaka, no entanto, traz em si uma dilema ao estilo do “qual veio primeiro: o ovo ou a galinha?”. Os atletas estão falando mais de saúde mental porque a cobrança sobre o desempenho deles está vindo de todos os lados — seja pelo falatório dos haters nas redes sociais ou via patrocinadores cada vez mais presentes na vida e na imagem pública destes profissionais —, ou esses temas estão na ordem do dia justamente porque a sociedade de maneira geral deixou de encarar os dilemas da mente como um tabu?

A pandemia, e a insegurança extrema trazida por ela para a humanidade como um todo, têm feito especialistas acreditarem que os cuidados com saúde mental definitivamente deixaram de estar em segundo plano na vida das pessoas — inclusive aquelas com pressões sociais extremas no trabalho.

Para a psicóloga paulistana Ana Volpe, que acompanha o cuidado com saúde mental em profissionais de ofícios com cobrança por alta performance, o movimento de Biles demonstra maturidade da atleta para as suas vulnerabilidades.

“É importante entender que a performance não está acima de tudo”, diz Ana, para quem o profissional de destaque no passado tinha pouca margem de manobra para desobedecer regras e expectativas sociais (tais como brigar por uma medalha de ouro nas Olimpíadas) para cuidar da própria mente. “A pessoa não podia se dar ao luxo de dizer ‘poxa, que pressão é essa?’ Hoje isso é possível e é um avanço.”

Roberto Aylmer, médico, PhD e professor internacional da Fundação Dom Cabral, vê que o episódio é um marco para uma nova era onde a vulnerabilidade é necessária e aceita. O lema deste novo contexto se resume na frase de Osaka na capa da revista americana Time no começo do ano: “É ok não estar ok”.

Para Aylmer, posturas como a da atleta são, hoje, questão de sobrevivência para os indivíduos e, por consequência, para as instituições. “Não é só uma questão de respeitar as diferenças. Não, temos que crescer com a diferença. O mundo está entrando em um grau de complexidade tão alto que não conseguimos navegá-lo com um pensamento único”, diz.

A psicóloga Karen Vogel, da The School of Life, ressalta que o ambiente olímpico é, por essência, competitivo e que é um desafio para o atleta não ter pensamentos de comparação.

“Sempre que existe competição, existe comparação. É natural nesse ambiente das Olimpíadas a gente entender que, de certa forma, muitas pessoas estão disputando posições e se comparando. Isso faz com que eles se fragilizem muito, principalmente se a gente se veem alguém como melhor. Isso naturalmente gera uma emoção de insegurança, medo e menos valia. O desafio para os psicólogos do esporte é ajudar o atleta a não cair na armadilha emocional que aciona a comparação”, explica.

A inteligência de Simone Biles para a liderança
A vulnerabilidade não é o mesmo que fraqueza. Quando o assunto é saúde mental, nas Olimpíadas ou no trabalho, a conversa nunca pode ser superficial.

Ao decidir se afastar da competição em equipe, Biles disse: “Eu senti que elas precisavam avançar sem mim e elas fizeram exatamente isso. Foi uma longa jornada olímpica, foi um longo ano. Depois da apresentação que fiz, não queria ir para os outros aparelhos, então quis dar um passo para trás, pensar na minha saúde mental”.

Para Ana Bavon, CEO da B4People, uma consultoria de transformação cultural guiada pela diversidade, a decisão mostra uma inteligência que falta no mercado de trabalho: saber abrir mão de si em prol da equipe.

“Ambas mostram a capacidade de abrir mão de si, de um protagonismo, em prol da equipe. Ela deixa a competição de lado e joga pela colaboratividade”, afirma.

Bavon explica que a lógica da alta produtividade e performance leva os profissionais à exaustão e faz com que a gente esqueça que saúde mental, inteligência emocional e segurança psicológica estão ligados com nossa capacidade de discernir o momento de parar.

Saber desistir é um exercício de autocuidado. Nas empresas e na sociedade, ainda há um estigma sobre esse tipo de cuidado.

“No que a gente ancora o significado de produtividade, excelência ou alta performance? Alta performance não significa trabalhar até a exaustão, mas reconhecer que a sua excelência precisa do seu descanso e saúde mental em dia. Só que a gente ainda não consegue operar dessa forma por ainda existir um grande tabu ao falar de saúde mental nas organizações”, diz.

Decisões como a de Biles e Osaka devem servir de lição para os líderes. Muitas vezes, o exemplo da liderança reforça o comportamento competitivo e destrutivo da exaustão: falta de descanso, jornadas extenuantes e estresse crônico.

Tudo isso, contudo, não é sinônimo para um ‘liberou geral’. A pressão social por alto desempenho continuará existindo. Desistir dessas obrigações por muitas vezes não será uma opção — poucas pessoas têm a fama e a estatura social de uma Simone Biles para expor seus dramas pessoais em público e ainda conseguir um certo nível de condescendência das pessoas.

Em função disso, existe fórmula para dar conta da pressão do dia a dia sem prejudicar a saúde mental? Para Bavon, a resposta passsa por novos paradigmas organizacionais. “Eles devem ser centrados nos humanos e guiado pela diversidade, olhando para a colaboração como uma necessidade de manutenção da competitividade da própria empresa”, diz Ana.

Nessa lógica, o comportamento de Simone Biles e de Naomi Osaka deve servir como exemplo para a liderança que quer promover um ambiente psicologicamente seguro e com boa saúde mental. E começando esse trabalho com si próprio.

Fonte: Exame.com | Foto: LOIC VENANCE / AFP

O que é felicidade?

A felicidade é como uma árvore: necessita de um cuidado com o solo, preparo de nutrientes férteis, regar, observar a quantidade de sol que bate nas folhas…até criarmos condições de brotar, de florescer…

Apesar de a felicidade ser fruto de uma relação, a responsabilidade de ser feliz é uma escolha e condição individual. Não cabe a nós carregar sobre nossos ombros a responsabilidade de fazer o outro feliz.

Quando não somos um empecilho para a felicidade do outro, isto já nobre e suficiente. A escravidão básica, a culpa e ansiedade se instalam quando nos tornamos responsáveis pela felicidade da outra pessoa.

A felicidade real pertence à relação EU-EU, sempre que procurar e se responsabilizar pela própria felicidade. O que isso significa, Sérgio?. Quanto mais você procurar a sua felicidade, mais ajudará os outros a serem felizes. Você precisa criar uma atmosfera de felicidade a sua volta.

“Uma pessoa que está profundamente interessada em sua felicidade, sempre estará interessada também na felicidade dos outros, mas não por causa deles” insiste Osho.

Para que você esteja saudável, não poderá viver entre enfermos e rodeados de uma atmosfera doentia. É impossível. É contra a lei da natureza. Por isso insisto em meus trabalhos terapêuticos: ajudo as pessoas a construírem um olhar de gentileza, gratidão e responsabilidade pela relação de felicidade consigo mesmas.

Finalizo com essa provocação: quando se tem felicidade, pode se compartilhar, quando não se tem, como compartilhar?

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Por Sérgio Batista, psicólogo da Cuidarte.