Tem início aulas da especialização em trânsito

Teve início, no último sábado, 18, as aulas de mais uma especialização em Psicologia do Trânsito, facilitada em Teresina pela clínica Cuidarte em parceria com a Pos-Graduar de Minas Gerais. Pela intensa procura pelo curso, foram criadas duas turmas que assistem aulas na Uninovafapi. Confira fotos das aulas inaugurais da disciplina de Medicina do Tráfego em nossa fan page no facebook.

 

 

 

 

Cuidarte Trânsito

A Cuidarte Trânsito funciona no Espaço Urtiga na Avenida Homero Castelo Branco, 2676, Horto.   A clínica é credenciada pelo Detran e também oferece especialização em Psicologia do Trânsito, voltada para profissionais da área. Nosso telefone geral é o 3232.3209.

Assembleia da categoria

O SINDPSI/PI realiza a 3ª assembleia da categoria no proximo dia 08/12 no auditório da Adufpi, de 8h às 12h. O encontro tratará sobre o piso salarial dos psicólogos.

Relações sociais em tempos de Internet

As relações interpessoais  mudaram na contemporaneidade e são mediadas pela tecnologia. Nesse panorama, a Internet aproximou as pessoas e  modificou a forma de  se relacionar. As redes sociais são o expoente maior desse momento.  E é fato que a Internet assumiu um papel importante  e ocupou espaço e tempo na vida das pessoas. A psicológa Adriana Lemos, da equipe Cuidarte, foi entrevistada pela revista Cidade Verde sobre o tema  para a  matéria intitulada “Conectados 24 horas”, que  está na edição 72 da referida publicação. Aqui você confere a entrevista na íntegra, feita pela reporter Caroline Oliveira. 
 
O que a internet pode influenciar na vida de uma família?

Hoje vivemos o que chamamos de pós-modernidade em que as tecnologias ocupam um lugar considerável na vida dos indivíduos e essa era mudou a forma das pessoas se relacionarem; a Internet tem um grande peso nisso, pois se deslocou o foco dos relacionamentos reais para os virtuais. Nessa perspectiva, a Internet assume um papel importante na vida das pessoas, sobretudo dos adultos jovens, adolescentes (a chamada geração “Y”, nascida na década de 80 e com o ‘boom’ da tecnologia da Internet no início dos anos 90) e crianças. Vivemos na
contemporaneidade a sociedade do espetáculo na qual não há mais um sentido no limite entre o público e o privado; as pessoas sentem a necessidade de exposição, como se estivem num palco com plateia. Os amigos virtuais nas redes sociais compõe essa plateia e esse desejo de se sentir num palco é uma maneira que as pessoas têm de se reconhecer como indivíduos, de se sentirem confirmados/validados.

Quais os cuidados que os pais devem ter com seus filhos na internet?

Em linhas gerais, os cuidados que se tem ou se deve ter na educação dos filhos é o de esclarecer sobre o uso da Internet, impor limites, horários de acesso à internet, saber a senha das redes sociais, o conteúdo das conversas, com quem conversa. Enfim supervisionar o uso da Internet pelos filhos. É preciso estar próximo deles, dar abertura para conversar e que eles possam confiar nos pais, contar intimidades…

Qual a vantagem e desvantagem da internet wi-fi juntamente com os aparelhos celulares modernos que facilita o acesso em vários locais?

Vejo como vantagem a facilidade de acesso a Internet e a informação, mas se a pessoa não tem limites e não sabe dosar o uso disso se torna desvantagem, porque corre o risco de viver on line, mas não ter uma vida real rica e saudável em seus relacionamentos.

O que essa interação virtual pode causar na real (pontos positivos e negativos)?

Entre os pontos positivos está o fato de que o ambiente da Internet é um espaço democrático e há lugar para as mais diversas expressões da subjetividade. É um espaço no qual se pode interagir com amigos também da vida real, encontrar antigas amizades que o tempo e o rumo da vida de cada um separaram. Por outro lado, é necessário discernimento para entender que o mundo virtual tem uma dinâmica diferente da vida real, há perigos de perfis falsos, pedofilia, golpes financeiros e amorosos, é um mundo de ‘fantasia/fake’ no sentido de que muito do que está exposto não corresponde à realidade. Pare para pensar o que as pessoas, via de
regra, expõem nas redes sócias: só o lado bom da vida, como fotos de carrões, viagens, compras, baladas, etc. Parece não existir lugar para a expressão da vida real, na qual as pessoas se sentem tristes, têm problemas. Vejo como uma espécie de negação do real, da expressão de uma necessidade desenfreada de aprovação/admiração pelo outro, através da exposição do lado da aparência da vida. É o ter no lugar do ser. Se analisarmos mais a fundo ainda percebemos que existe no mundo virtual uma lógica capitalista e da indústria cultural que dita ou ao menos intermedia o modo de se vestir, de se relacionar, o modo de ser, de se divertir. Em suma, esse novo modo de se relacionar cria também novas necessidades e influencia na construção das individualidades, cria novos modos de viver.

O convívio virtual tem dificultado/atrapalhado ou ajudado no diálogo real dentro de casa, com os amigos ou nos relacionamentos sociais? Por quê?
Não tenho dados para uma análise dessa questão, pois a necessidade de espetacularização do cotidiano relacionar ainda é um fenômeno muito novo. É difícil precisar, mas suponho que pode dificultar quando a pessoa passa a viver mais virtualmente, pois pode até parar de dialogar com a família e amigos reais, o que se constitui em um problema sério, que traz desconforte emocional/psíquico inclusive. O importante é não haver exageros como, por exemplo, estar em um show ou em bar com amigos e preferir estar no celular interagindo virtualmente em vez de aproveitar a companhia ao lado. Entretanto, se o convívio virtual é sem excessos acredito que não há interferências significativas.

O que fazer com o volume de informações que recebemos?

Fazer escolhas do que é importante. É preciso eleger prioridades e relaxar em relação ao restante. Caso não façamos isso nos sentiremos estressados.

Como educar crianças nesse mundo virtual?

Como na educação convencional, dar limites, dialogar, e só dar acesso às crianças ao mundo virtual conforme sua fase de desenvolvimento, como um jogo para ela aprender a resolver problemas. Pergunto-me qual a necessidade de uma criança de três anos ter um celular com tecnologia de ponta ou a um tablet de última geração? Essa necessidade é do pai/mãe de exibir-se ou da criança? Creio que respondendo a essas questões os pais saberão o que fazer.