Rede social atrai teresinenses à prática do sexo em grupo, o famoso “swing”

Psicóloga destacou os grandes desafios de quem busca a prática e as frustrações deixadas em casais por tentativas sem preparo necessários

Falar sobre sexo tem se tornado cada dia mais comum, no entanto, ainda é um assunto delicado de se abordar. E quando é para falar de sexo na perspectiva do swing, cuja a prática é através do sexo grupal entre dois ou mais casais, o tema insiste em ficar apenas nas temáticas pouco discutidas e exibidas na grande mídia. Para conhecer este universo e trazer o assunto ao debate, o OitoMeiabuscou conhecer pessoas adeptas ao swing e uma rede social que vem ganhando espaço na internet, onde mais de 1 mil usuários são teresinenses, interagindo, compartilhando fotos, videos e suas experiências.

Numa breve explicação, para quem continua com dúvidas sobre esta prática sexual, o Swing pode acontecer com a  troca de parceiros com beijos, carícias e sexo oral, com ou sem penetração. Ou seja, a decisão é colocada em um acordo entre os participantes na relação. Chegando-se a um consenso, em busca de um sexo apimentado.

Na imersão da rede social denominada de Sexlog, nos mais diversos perfis visitados a faixa de idade entre os casais variam entre 23 a 55 anos. Pessoas casadas, namorando e, inclusive, perfil de casal de amantes que buscam fazer sexo com outros casais para mostrar para seus cônjuges. No Swing vale quase tudo, portanto, é sempre bom dar um crédito para as propostas e ao que estiver escrito, pois a imaginação é uma forte contribuinte para que o encontro seja inesquecível entre os praticantes.

CASADOS HÁ 17 ANOS: “VAMOS À UM BAR, DE LÁ PODEMOS SEGUIR”

Entre os usuários, a reportagem buscou contato com o perfil intitulado de Alan e Ludmila, no qual o proprietário é casados há 17 anos, possui filhos e residem na zona Leste de Teresina. Sem propor de fato uma entrevista, o OitoMeia iniciou um diálogo.

Seguindo as regras do ‘jogo’, é válido olhar todo o perfil do casal na página, e de imediato é possível ver o interesse de ambos. “Casal realmente casado procura outros casais e homens para se conhecerem, bater um papo e, se houver afinidade, quem sabe algo mais”, descreveu. À equipe, eles garantiram que estariam disponíveis para um encontro pessoalmente e, a partir de então, avançariam para o proposito.

“Estamos querendo sair dia 26 ou 27 [de dezembro]. Podem à noite ? Barzinho, conversar… Se rolar afinidade, aí quem sabe”, sugeriu Alan. Entre suas exigências, segundo relatou, a saída com os dois só poderia ocorrer caso quem estivesse conversando do lado de cá enviasse fotos de rosto. “Só saímos com o casal se trocarmos fotos. E aí? Topam ou não ?”. Para muitos, essa é uma maneira de saber se o casal é real, ou, trata-se apenas de um perfil falso.

PARA DAR CERTO, OS DOIS PRECISAM QUERER

A psicóloga que atua na área de terapia sexual, Kyslley Urtiga, explicou ao OitoMeia que ambos precisam estar preparados para realizar o swing. Dentre os esclarecimentos, Urtiga ressaltou os grandes desafios de quem busca a prática e as frustrações deixadas em casais por tentativas sem preparo necessários.

Ela iniciou a conversa esclarecendo que o ponto de partida para quem deseja entrar em um swing é entender a necessidade do seu parceiro ou parceira, e se enxergar dentro dela. “Primeiro, você tem que ter uma certa responsabilidade pelo outro, que muitas vezes fica difícil quando a gente não entende que o outro tem que se perceber nessa situação de uma mesma forma que eu quero. Se eu tenho esse desejo, eu vou discutir com o meu parceiro sobre isso, e eu vou conjugar a nossa vontade”.

Psicologa Kyslley Urtiga, especialista em terapia sexual fala sobre a prática do Swing (Foto: Salomão Prado/OitoMeia)

REPRESSÃO SEXUAL

O grande desafio para quem quer fazer swing, segundo terapeuta, é a questão do parceiro apenas querer satisfazer o outro, e esquece de si. Em muitos casos, como foi identificado no próprio Sexlog, a mulher se submete aos prazeres do seu cônjuge e não coloca em dialogo os seus medos ou seus fetiches também.

Nesse aspecto, Kyslley denomina como ‘repressão sexual, e faz o alerta principalmente para os casais ciumentos. “Existe uma situação chamada repressão sexual, que entre muitas vezes ocorre nesse caso de swing, e é exatamente: ‘quando eu quero fazer para realizar o desejo do outro, e eu não faço por mim’. Um casal que tem muito ciúmes envolvido, é um casal que não tem uma tipologia pra esse tipo de prática… Porque em muitos momentos, eles não conseguem desmistificar isso, a ponto de entender que é um desejo buscado para ambos”.

Na dia a dia de trabalho, ela enfatiza que os casais que buscam sua ajuda profissional já chegam com traumas da prática, exatamente por não terem buscado preparo psicológico antecipadamente. “Eu não recebo pacientes que buscam ir [fazer swing]. Geralmente eu já recebo eles com o sofrimento, casais com frustração da prática. Porque não amadureceu, não trabalhou limites, e só pensaram em ir, e sequer pensaram em trabalhar como iriam se sentir”, pontuou.

Psicologa Kyslley Urtiga, especialista em terapia sexual fala sobre a prática do Swing (Foto: Salomão Prado/OitoMeia)

QUERO FAZER SWING, E AGORA ?

Para evitar qualquer surpresa na hora H, a profissional faz algumas recomendações e deixa claro que a prática não deve ultrapassar o campo do prazer. No primeiro ponto, ela afirmou a necessidade de conhecer os limites dos participantes.

“É preciso se ter um amadurecimento para iniciar a prática, é preciso reconhecer os limites do parceiro. Por exemplo, se meu parceiro não sentir-se bem, eu vou conseguir parar aquela prática, naquele momento e respeitar ? Que tipo de fetiche ou fantasia está se buscando nessa situação ?”, disse.

HOMEM OU MULHER: QUEM MAIS BUSCA PELA PRÁTICA ?

Com sua notada experiência, a psicóloga destacou o grande espaço que o público feminino vem conquistando quando o assunto é sexo, haja visto que há pouco tempo atrás determinados desejos sexuais eram velados pelo público feminino por medo, repressão do seu parceiro. Kyslley afirmou que atualmente “acredita que hoje em dia o público está bem misturado”, ou seja, com muita mulher buscando realizar seus desejos assim como os homens.

GANHA DINHEIRO PARA FAZER SWING

Entre os amantes do swing, o jovem que se identifica por Edu, 24 anos, formado em administração de empresas, relatou que na época em que praticava, há mais ou menos 2 anos, fazia tanto por “gostar muito” quanto por interesse financeiro. Ele, que é natural de São Raimundo Nonato, foi embora muito novo para a cidade de Fortaleza (CE) e por lá frequentou algumas casa de swing, onde passou a conhecer casais héteros e homossexuais. Com os dois gêneros, Edu se deixou levar.

“Sou de São Raimundo Nonato, e fui pra Fortaleza quando tinha mais ou menos uns 15 anos de idade, conheci muitos casais, gays, héteros… e eu passei a fazer por dinheiro”, explicou. “Existem muitas fantasias mirabolantes, que fazem parte do swing. Por exemplo, conheci um casal hétero em que o esposo não queria transar, apenas sentar e assistir eu com a esposa dele”.

Gay e atualmente casado, Edu fala sem pudor ao OitoMeia que só não continua fazendo swing devido ao seu estado civil. “Meu marido é muito ciumento, por isso não continuei fazendo. E ele me conheceu fazendo esses trabalhos lá em Fortaleza”.

CUIDADOS COM A SAÚDE

Muito se falou sobre os cuidados com a saúde mental, mas é válido e necessário a cuidar também da saúde do corpo como um todo, antes de qualquer ato sexual. “É preciso que os casais conheçam antes seus parceiros, o local onde vão fazer a prática e sempre fazer uso tanto do preservativo, quanto de pilula anticoncepcional”, lembrou a terapeuta Kyslley Urtiga.

Fonte: OitoMeia/ Salomão Prado

 

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